Um ‘‘preso de confiança’’ - detento considerado de bom comportamento e que ajuda a suprir a falta de funcionários em algumas cadeias do Paraná - liderou a fuga de 14 presos da Cadeia Pública de Foz do Iguaçu, anteontem à noite. Foi a segunda fuga em massa registrada no local em menos de seis meses. Na anterior, ocorrida em 26 de maio e na qual escaparam 54 detentos, também houve a participação de ‘‘presos de confiança’’.
Com 330 detentos - o dobro de sua capacidade -, a Cadeia Pública de Foz do Iguaçu tem apenas dois carcereiros. Devido à falta de funcionários, até ontem seis ‘‘presos de confiança’’ (chamados também de ‘‘quadrantes’’), ficavam soltos nos corredores para exercer atividades como fazer a limpeza, distribuir as refeições e até abrir as portas das celas para conduzir os demais detentos ao pátio de sol.
A fuga de anteontem ocorreu às 21 horas. Segundo o chefe da Cadeia Pública, Vanderlei Batista de Oliveira, o ‘‘quadrante’’ Zacarias Escobar Flores - que cumpria três anos de prisão por tráfico de drogas - abriu cinco celas, das quais saíram 14 homens. A maioria dos presos permaneceu nas celas. Cada cubículo abriga uma média de dez detentos.
Depois, de acordo com o policial, Escobar Flores abriu a grade de ferro que dá acesso ao pátio de sol. Liderado pelo ‘‘preso de confiança’’, o grupo escalou o muro de seis metros de altura e amarrou uma ‘‘teresa’’ (corda feita com lençóis), com cerca de 15 metros, em um dos holofotes que iluminam o pátio da cadeia. Por meio dessa corda, eles desceram, de uma altura de 12 metros, até o solo. A cadeia de Foz é um prédio suspenso, construído sobre pilares, a seis metros de altura.
Os dois policiais militares que permanecem à noite nas guaritas sobre o telhado do prédio não estavam nesses locais. O terceiro PM, que deveria manter ronda pelo pátio da cadeia, também não estava (leia texto ao lado).
Dos 14 fugitivos, quatro foram recapturados ainda no pátio da cadeia. Até o final da tarde, nenhum dos que conseguiram atravessar a cerca de arame farpado havia sido pego pela polícia.
Segundo a 6ª Subdivisão Policial apenas três dos presos que fugiram já estavam condenados. Por falta de um presídio na região mais de 100 condenados permanecem detidos no local.
Um parâmetro para avaliação da falta de estrutura da cadeia de Foz é a cadeia pública de Maringá. Com 180 presos (Foz tem 330) a unidade de Maringá tem quatro carcereiros e quatro PMs para a segurança externa a cada turno. Em 14 de setembro, 21 presos fugiram por um túnel, depois de cinco anos sem fugas.

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