A direção da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) confirmou ontem que um aparelho de telefone celular foi encontrado numa das celas, na noite da última sexta-feira, e que o equipamento chegou até a carceragem com a ajuda de um agente de segurança, como a Folha denunciou no domingo, com exclusividade. O funcionário, segundo apurou a direção, teria recebido cerca de R$ 600,00 de um preso para entregar o aparelho.
De acordo com informações do diretor da penitenciária, Raimundo Hiroshi Kitanishi, o celular foi descoberto no cubículo de número 610, onde estavam sete presos. Segundo depoimento dos detentos, o telefone teria sido deixado por um funcionário da PEL na abertura por onde passa a comida e havia entrado poucas horas antes de ser encontrado durante uma revista. Tanto o funcionário quanto os presos tiveram as identidades mantidas em sigilo pela direção da PEL. O diretor disse que não tinha investigado o aparelho e não poderia dar mais detalhes, mas revelou que ''alguns dos presos já tinham feito ligações''.
Kitanishi relatou que na cela onde foi encontrado o aparelho estavam presos assaltantes e traficantes. ''Não fazemos a distinção de periculosidade, mas havia pelo menos um assaltante com quem tínhamos cuidados especiais'', destacou. O diretor assegurou que a partir de agora a segurança será ampliada.
O diretor afirmou que o funcionário suspeito foi afastado de suas funções de guarda no setor de carceragem. A ocorrência seria repassada ainda ontem para o 6º Distrito Policial para que fosse instaurado o inquérito. Também a coordenação do Departamento Penitenciário do Estado (Depen) informou que aguardava apenas a chegada dos documentos para instaurar uma sindicância contra o agente.
A Folha apurou que o funcionário suspeito já estaria sendo investigado por supostamente ter participado de uma fuga de presos registrada na Prisão Provisória de Londrina (PPL), que foi incorporada à PEL no final do ano passado. Ele também teria ligações suspeitas com o assaltante Marcelo Borelli, que foi transferido no início de setembro para a Penitenciária Estadual de Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba). Borelli ficou preso de dezembro até este mês na penitenciária. A direção da PEL acreditava que estava sendo armado um plano de resgate depois que um coelho de pelúcia um código da quadrilha foi enviado para o assaltante em agosto. Entretanto, Kitanishi se limitou a dizer que ''ele (o agente) está respondendo a outros processos''.
Em relação aos presos flagrados com o aparelho celular, Kitanishi apontou que todos foram imediatamente colocados no isolamento, onde poderão ficar por até 30 dias. Tanto os sentenciados quanto o agente afastado poderão responder por crime contra a ordem pública, entre outros.

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