O preso Oberdan de Souza, 26 anos, foi espancado ontem de manhã por policiais civis e militares de Campo Mourão pouco depois de ter ferido com um tiro de uma pistola calibre 45 o investigador Paulo Fumiyuki Asso. O disparo que atingiu uma perna do policial foi dado pouco depois das 11 horas. Souza rendeu Asso quando o investigador estava abrindo a porta de uma cela para levar um preso. O tiro foi dado com a pistola do próprio policial.
Souza ainda deu pelo menos outros dois tiros no corredor da delegacia e fugiu pela cozinha da 16ª Subdivisão Policial e foi atingido por um tiro de raspão na perna. Durante a fuga, ele também atirou e matou um cachorro ao pular o muro de uma casa. Souza Poucos minutos depois, Souza foi localizado às margens do Rio do Campo, próximo a uma rodovia. Ele recapturado antes do meio-dia e ao chegar à delegacia foi espancado.
O espancamento contra o preso começou assim que ele saiu da viatura, prosseguiu pelos corredores da delegacia e numa sala existente ao lado da cadeia. As agressões começaram por policiais militares – Souza chegou numa viatura da PM – e continuaram por policiais civis. Um policial civil chegou a bater no preso com um pedaço de pau. Os espancamentos foram vistos por repórteres e até por pessoas que passavam no local no momento.
O tumulto dentro da delegacia foi grande. Cerca de 20 policiais, entre civis e militares, estavam no local. Souza estava algemado e ferido quando foi agredido. Ainda no chão, na mesma sala ao lado das celas, policiais civis queriam que ele dissesse que tinha aberto a porta da galeria para que o policial pudesse ser rendido. Ele só deixou de ser agredido com a interferência do delegado-adjunto Benedito Lúcio de Souza.
Cerca de meia hora depois, com a chegada do delegado-chefe da 16ª SDP, Roberval Butaccini, que estava acompanhando o policial ferido, é que o preso foi levado para o hospital. Butaccini disse que vai abrir um inquérito para apurar como o preso conseguiu sair da galeria para render o investigador Paulo Japonês. A primeira suspeita é que a porta tenha sido aberta por uma mulher presa na ala feminina. ‘‘Precisamos descobrir como isso aconteceu’’, disse.
Butaccini estava preocupado com o estado de saúde do policial. ‘‘O tiro acertou uma artéria e há o risco dele perder a perna’’. O policial foi submetido a uma cirurgia ontem à tarde. O delegado disse à Folha que vai apurar as agressões contra o preso se houver denúncia. O comandante do 11º Batalhão da PM de Campo Mourão, major Nelson João Casarolli, afirmou ontem que vai determinar que seja apurada a participação de policiais militares nas agressões.
O fugitivo recapturado foi liberado ontem à tarde do hospital e levado de volta para a cadeia. Souza está preso em Campo Mourão há menos de um mês. Ele é condenado por roubo em Londrina e é fugitivo da Colônia Penal. Foi preso em Ponta Grossa e transferido para Engenheiro Beltrão (30 km ao norte de Campo Mourão), onde responde por assalto a ônibus. Por ser considerado um preso ‘‘violento e perigoso’’, acabou levado para a cadeia de Campo Mourão.