Preso assassino de taxista em Marialva
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quinta-feira, 18 de março de 1999
Marccio W. Varella 
A polícia de Marialva (a 17 km de Maringá) prendeu na manhã de ontem o mecânico de biciletas de Sarandi (7 km a leste de Maringá) Deilson Gomes, 23 anos, suspeito de ter matado na última terça-feira o taxista Ariovaldo Pereira Lima, de 59 anos, de Maringá. Gomes, que confessou o crime, estava escondido na casa de um de seus irmãos, Dair Gomes, em Marialva. Lima já havia sido assaltado duas vezes em seus 20 anos como motorista de táxi.
Gomes disse à Folha que não tinha a intenção de atirar no taxista. Ele trabalhava numa mecânica de bicicletas em Sarandi há seis anos. Há quatro meses sua companheira Silvana Alcântara teve problemas na gravidez e acabou perdendo o filho. Segundo Gomes, seus cunhados - Adilson da Silva de Alcântara e S.S.A. (menor de idade) - o culparam pela perda da criança, acusando-o de bater na mulher.
Ele contou que, na terça-feira de manhã, ele e a cunhada brigaram novamente e Gomes acabou dando um pontapé nela. O cunhado registrou queixa na polícia. À tarde, Gomes retornou ao trabalho. Mas eu estava com muita raiva deles, muita raiva mesmo, não tive culpa de nada. Não bebo, não fumo, nunca bati em ninguém. Minha intenção era pegar um carro e ir até o Jardim Independência (em Sarandi), onde eles moram, e dar um susto neles.
Há um ano Gomes comprou um revólver Taurus calibre 38. Peguei a arma, enfiei seis balas nela, levei mais seis no bolso, peguei uma bicileta velha e fui até a rodoviária de Maringá, onde entrei no primeiro táxi que encontrei, contou ele. Segundo a nora de Lima, Rosilda Brito de Lima, o sogro telefonou para a família dizendo que iria fazer uma corrida até Marialva.
Gomes explicou que queria dar um susto nos cunhados com a arma e depois fugir, de carro. Ele pagou R$ 35,00 pela corrida até Marialva. Pediu para o motorista pegar a estrada para o distrito de Santa Fé, que fica perto da casa de seu irmão Dair. Na hora de apontar a arma para o motorista e pedir para ele descer, fiquei sem voz. Estava assustado. Não me lembro bem o que aconteceu. Só sei que dei dois tiros em sua cabeça, fiquei com a camisa suja de sangue, arrastei o corpo para o mato mas não consegui dirigir o carro, contou.
Depois de praticar o crime, segundo a polícia, Gomes pegou um punhado de moedas que estavam no cinzeiro do Santana branco e pôs no bolso. Ele não mexeu nos R$ 35,00 que havia dado ao taxista ainda na rodoviária. Saiu correndo em direção à casa do irmão, pelo meio de um cafezal, mas, sem que percebesse, as moedas foram caindo aos poucos de seu bolso, dando a pista para a polícia. Auxiliada ainda pelas marcas de botas no cafezal, os policiais chegaram à casa de Dair às 6 horas de ontem.
A prisão preventiva de Gomes foi decretada na tarde de ontem. Ele deverá ser indiciado em inquérito por latrocínio, podendo pegar até 20 anos de reclusão. Gomes nasceu em Campina da Lagoa, na Paraíba, estudou até a 5ª série do 1º grau e seus pais moram em Maringá.
A nora do taxista, Rosilda, disse que a prisão de Gomes diminuiu a dor pela morte do taxista. Meu sogro precisou morrer para salvar a vida dos cunhados do assassino.


