Preso afirma inocência e diz estar com medo
Preso afirma
inocência e diz
estar com medo
Daniel Cordeiro de Jesus, que teria confessado à polícia o assassinato do deficiente mental Ariel Ferreira de Paula, negou ontem à Folha ter cometido o crime. Preso com outros dois detentos no único cubículo da cadeia de Campo Magro, Jesus disse que estava com medo de continuar detido, por causa das manifestações dos parentes da vítima. Não matei ninguém, afirmou.
Ele, no entanto, não chegou a culpar nenhum colega. Minutos depois, com a chegada do delegado Edson de Brito, o acusado se calou e não falou mais. O delegado reafirmou que Jesus assumiu o crime sozinho. Brito está 20 dias na cidade e resolveu em menos de 24 horas o primeiro crime hediondo de sua gestão em Campo Magro.
Os dois detentos presos com Jesus também afirmaram estar com medo dos protestos. O delegado afirmou que só não pediu reforço porque a manifestação parece pacífica. Nenhum tipo de violência foi registrada durante a manifestação. Os parentes e amigos se limitaram a carregar cartazes com frases que pediam justiça. Não aceitamos este monstro esperar o julgamento em liberdade, dizia um dos cartazes. De mão dadas, eles abraçaram a pequena delegacia.
O corpo do deficiente mental foi encontrado no sábado de manhã na Estrada da Freguesia, na localidade rural de Conceição dos Túlio. O rosto da vítima estava completamente desfigurado. A maioria das agressões foram na cabeça. A família não se conforma com a forma violenta que morreu o deficiente. Ele uma criança, fazia tudo que a gente pedia e não fazia mal a ninguém. A gente acredita que pegaram ele por diversão, acusa Lucimara Luiz.
Um protesto na delegacia já havia sido feito no domingo passado. A manifestação, segundo a professora Roseli Luiz, impediu a libertação de Daniel de Jesus, que ainda não tinha confessado o crime. O delegado nega que ele seria solto. (J.A.)





