Rio de Janeiro - Depois de mais um tiroteio na madrugada de ontem na favela da Rocinha (Zona Sul do Rio), a polícia capturou um dos supostos integrantes do grupo que participou de um bloqueio na Avenida Niemeyer e tentou invadir a comunidade na madrugada de sexta-feira. A guerra do tráfico no local já matou sete pessoas nos últimos três dias. Cerca de 900 policiais ocuparão a Rocinha hoje.
O preso foi identificado como Pedro Arthur de Farias, 44, o Cuca ou Di Oscar, um dos supostos chefes do tráfico no morro do Vidigal, vizinho à Rocinha. Segundo a polícia, o traficante confessou ter participado do bloqueio à Niemeyer e da invasão à Rocinha, mas negou que tenha efetuado os disparos que atingiram a mineira Telma Veloso Pinto, 38. Ela morreu com um tiro de fuzil na cabeça porque não parou na Niemeyer. Além de Telma e dos dois moradores, dois policiais e dois supostos traficantes morreram nos últimos dois dias.
Segundo a Secretaria Estadual de Segurança Pública, Di Oscar foi preso na casa da mãe no morro do Vidigal quando estava dormindo. Ele disse que, na madrugada de sexta-feira, o líder dos ataques, Eduíno Eustáquio de Araújo Filho, o Dudu, o procurou no morro e os dois organizaram a falsa blitz, além de terem invadido a Rocinha. Durante a tentativa, dois moradores da favela também morreram.
Di Oscar disse que os tiros que mataram a mineira teriam sido disparados por um traficante conhecido como Peper. Segundo ele, a ordem para invadir a Rocinha foi transmitida pelo traficante Patrick Salgado de Souza, que cumpre pena no presídio de segurança máxima Bangu 1 (Zona Oeste). Disse ainda que foram recrutados traficantes de várias favelas dominadas pela facção criminosa Comando Vermelho (CV).
Dudu pretende invadir a Rocinha para tomar o controle dos pontos de venda de drogas, que pertencem a Luciano Barbosa da Silva, o Lulu. Segundo investigações, os chefes do CV que estão presos em Bangu 1 determinaram que Lulu entregasse parte da favela a Dudu quando este saísse da cadeia. Lulu não obedeceu e causou um racha na facção. Há a suspeita dele ter se associado à Amigo dos Amigos (ADA), rival do CV. Dudu fugiu no início de fevereiro do presídio Edgard Costa, em Niterói (a 15 km do Rio). Desde então, vem tentando invadir a Rocinha.
O novo tiroteio ocorrido na madrugada de ontem durou poucos minutos e não deixou feridos. Balas traçantes foram vistas cruzando a Rocinha. Apesar disso e mesmo com a presença da polícia, a Rocinha teve uma manhã tranquila. Durante incursões na favela, policiais do 23º Batalhão de Polícia Militar prenderam dois supostos integrantes da quadrilha de Lulu.

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