Curitiba

Albari RosaSecretário da Justiça e Cidadania, Edson Vidal Pinto, entrega diploma a um dos formandos: modelo novo de ressocializaçãoQuinze detentos da Penitenciária Central do Estado, em Piraquara, comemoraram ontem sua ‘‘formatura’’ no primeiro módulo do curso profissionalizante de Prótese Dentária Total, promovido em parceria com a Escola Técnica da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Os detentos receberam certificado que lhes permitirá trabalhar como auxiliares de dentistas, dentro e fora da penitenciária. Desde o início do curso, há três meses, os alunos já fabricaram cerca de 70 próteses dentárias.
Esta é a primeira vez que professores da UFPR ministraram cursos para detentos do sistema carcerário. Segundo o diretor geral da Escola Técnica da UFPR, Alípio Leal, a parceria com a penitenciária é encarada pelos professores como uma maneira de oferecer uma nova perspectiva aos detentos, que até então tinham oportunidades profissionais reduzidas. ‘‘É uma chance dada aos presos na busca por um futuro diferente’’, acredita. A partir de agora, os detentos deverão cursar outros módulos até receber o certificado de Auxiliar Protético.
Os alunos do curso também afirmam reconhecer no certificado uma nova e inesperada oportunidade de mudança de vida. Para o detento Aparecido Domingues Leite, que cumpre dez anos de prisão por assalto e que se prepara para entrar em regime de prisão semi-aberta, a possibilidade de confeccionar próteses dentárias é ‘‘revolucionária’’. ‘‘Até então, o único curso que eu tinha feito era de datilografia’’, diz, comentando que pretende aproveitar seus novos conhecimentos para conseguir um emprego quando deixar a penitenciária.
Para o detento Valter Alves Correa, que também cumpre pena por assalto, a formação técnica representa uma saída para sua situação social. Ele já está cursando o segundo módulo de capacitação técnica, que tem como tema Prótese Parcial. ‘‘Meu objetivo é seguir nesta profissão’’, diz Correa. O detento afirma que teve algumas dificuldades iniciais para aprender as técnicas de montagem de próteses, mas que agora só pensa em dar continuidade aos seus estudos. ‘‘Antes não havia alternativa’’, diz.

Albari RosaValter Correa, que cumpre pena por assalto: ‘‘Antes não havia alternativa. Meu objetivo é seguir nesta profissão’’O professor da Escola Técnica e coordenador do curso, José Francisco Vici, conta que a vontade de aprender dos detentos chegou a impressioná-lo. ‘‘Eles possuem um desejo pelo conhecimento muito maior que os alunos comuns, o que ajuda na rapidez do aprendizado’’, diz o professor. Apesar disso, Vici comenta que ainda há muita resistência dos professores em ministrar aulas na penitenciária. ‘‘Foi difícil encontrar alguém com disposição de conviver com presos’’, lamenta.
Para o diretor da Escola Técnica, a parceria de ensino é um dever da universidade, que muitas vezes esquece seu papel social. ‘‘Este curso fez a Escola Técnica ‘sair do casulo’, chegando perto da comunidade a que tem a obrigação de servir’’, afirma. O secretário estadual da Justiça e Cidadania, Edson Vidal Pinto, que também esteve presente na cerimônia de formatura, afirma que o Estado pretende criar outros cursos profissionalizantes dentro do sistema penitenciário. ‘‘Queremos desenvolver um modelo novo de ressocialização dos presos’’, promete.

mockup