Presidiários cultivam ódio por mãe e padrasto da menina Érika
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sábado, 02 de agosto de 1997
Curitiba 
Albari RosaIndiciados como assassinos, Dobrovolski e Hermínia aguardam julgamento em Curitiba e vivem isolados dos outros presosRogério Dobrovolski e Hermínia Silvestre Maia levaram tensão aos presídios onde foram colocados. Na Prisão Provisória do Ahú, em Curitiba, ele está isolado. Na Penitenciária Feminina de Piraquara, ela vive a mesma situação. Por terem espancado e abandonado a menina Érika Bianca agonizante em um terreno baldio de Pinhais, o padrasto e a mãe da criança cultivaram mais que a indignação da sociedade: o ódio dos colegas de cadeia.
Só os funcionários daqui têm acesso a Dobrovolski, informa o chefe de segurança da Prisão Provisória do Ahú, Getúlio Caporasso. Entre o portão do presídio e a cela do padrasto de Érika há pelo menos 20 grades. Sem poder tomar banho de sol com os outros 800 presos - 300 além da capacidade -, ele deixa seu cubículo apenas para circular pela enfermaria. Detalhe: nunca vai sem uma escolta de quatro homens.
Caporasso acredita que o clima tenso mude dentro de três meses. Mas nem sempre a poeira baixa nesses casos de crime bárbaro, ressalva. Já Hermínia está numa situação melhor. Houve um princípio de tumulto com sua chegada, mas as detentas se acalmaram um pouco devido à gravidez dela, revela a diretora da Penitenciária Feminina de Piraquara, Elizabeth Bettega.
Hermínia deve ficar com as internas daqui a dois meses, após o nascimento de seu filho e a primeira fase de amamentação, prevê a diretora da penitenciária. Ela só voltaria para o isolamento em caso de agressão por parte das presas, esclarece. Atualmente há 149 detentas ali, 29 acima da capacidade.
Tranquilidade - Os outros cinco irmãos de Érika estão internados no Educandário Santa Felicidade, em Curitiba. Exceto a menininha de um ano, todos passam o dia brincando, diz a diretora do abrigo, Tereza Maria dos Santos. Elas falam pouco da irmã que morreu, mas sentem saudades. Conforme ela, as crianças mais velhas - E., dez anos, e D., oito anos - vão retomar os estudos neste mês e receber acompanhamento psicológico especial. (D.J.)


