A Hidrelétrica de Salto Caxias, que será inaugurada hoje pelo presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e pelo governador Jaime Lerner (PFL), é o último aproveitamento do potencial energético do Rio Iguaçu. Ao longo de 1,3 mil quilômetros, da nascente na Serra do Mar à foz no Rio Paraná, o Iguaçu tem cinco barragens. Embora haja estudos preliminares para mais uma (Salto Capanema), o projeto não será concretizado, porque os alagamentos decorrentes afetariam o Parque Nacional do Iguaçu, que se inicia a 30 quilômetros de Caxias.
Os estudos consideraram a possibilidade de uma usina exatamente na entrada da reserva. O projeto foi abandonado porque o parque é patrimônio da humanidade, e a própria legislação é hoje rigorosa em relação a danos ambientais. Segundo o engenheiro Mário Bertoni, diretor da Copel, a única possibilidade para a obra seria o desenvolvimento de tecnologia que evitasse alagamentos - por exemplo, um reservatório através de tubulações.
Salto Caxias, localizada em Capitão Leônidas Marques (75 quilômetros ao sul de Cascavel), investimento de R$ 1 bilhão para gerar 1.240 MW de energia e que teve a primeira de suas quatro turbinas acionada em fevereiro, aumentará em cerca de 40% a capacidade de produção da Copel, de 3.350 MW, em todos os rios paranaenses. Na Bacia do Rio Iguaçu, o primeiro aproveitamento ocorreu nos anos 60, com Salto Grande do Iguaçu gerando apenas 15,2 MW, e que foi desativada em 80 para dar lugar ao reservatório de Foz do Areia. Depois, veio a Júlio de Mesquita Filho, desativada no ano passado para dar lugar a Caxias.
Os grandes aproveitamentos começaram nos anos 70. O primeiro foi Salto Osório (1.050 MW), seguindo-se Salto Santiago (1.3432 MW) e Foz do Areia, a maior do rio, com 1.674 MW, que recebeu o nome de Governador Bento Munhoz da Rocha Neto - o criador da Copel, em 54. Antes de Caxias, foi construída a usina de Segredo, que opera desde 92, com 1.260 MW. Entre as barragens de maior porte no Estado, a de Caxias teve o menor alagamento, proporcionalmente à geração de energia. Dos 132 quilômetros quadrados do reservatório (em nove municípios), 36 quilômetros são da própria calha do rio.
As obras da hidrelétrica foram iniciadas em janeiro de 95, e o enchimento do reservatório começou no final de 98. A barragem, que foi concluída três meses antes do previsto, tem 1.083 metros de comprimento por 67 metros de altura, e permite a acumulação de 3,5 bilhões de metros cúbicos de água. Nela, foi empregada pela primeira vez, em larga escala, a tecnologia do concreto compactado a rolo, que dispensa ferragens e oferece outras vantagens em relação ao concreto comum. A barragem foi inaugurada em julho do ano passado, com presença do então ministro das Minas e Energia, Raimundo Brito.
Inauguração A inauguração da Hidrelétrica de Salto Caxias está marcada para às 11h45. O avião que trará o presidente da República descerá no Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu. Dali, um helicóptero levará Fernando Henrique, em deslocamento de aproximadamente 30 minutos, até a usina, onde o estará aguardando o governador Jaime Lerner. Um grande esquema de segurança está montado no local. Apenas da Polícia Militar, 120 homens foram requisitados - número igual ao de jornalistas credenciados para a cobertura.
Durante a solenidade, o presidente receberá do governador uma gravura em metal reproduzindo a barragem. A cerimônia está prevista para durar uma hora, e a seguir Fernando Henrique retornará a Brasília.
Jaime Lerner seguirá para Cascavel, onde assinará protocolo de apoio à implantação de uma fábrica de mangueiras, com investimento de R$ 1,29 milhão, faturamento anual de R$ 3 milhões e geração de 48 empregos. O apoio se dará com o programa Paraná Mais Empregos, permitindo à empresa dilatação de prazo para o pagamento do ICMS, por quatro anos. A indústria ocupará área de 2 mil metros quadrados, oferecida pelo Município.

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