Presidente do TRT é contra
PUBLICAÇÃO
domingo, 18 de maio de 1997
Da Sucursal 
O presidente do Tribunal Regional do Trabalho do Paraná (TRT/PR), José Fernando Rosas, é contra a aplicação obrigatória das súmulas dos tribunais superiores, a não ser em alguns casos, como nos planos econômicos de governo. Esses planos acabam gerando expectativas de direitos, movimentam a máquina do Judiciário em todas as suas instâncias, afirma. Mas, de um modo geral, sou contra, diz.
Ele avalia que, com a súmula vinculante, o Judiciário acaba se travestindo de legislador, com as interpretações dos tribunais tendo que ser acatadas como se fossem leis. Se o que os tribunais dizem é o que vale, não precisariam haver juízes de primeira instância - bastaria um computador para aplicar as súmulas, afirma.
José Fernando Rosas teme o engessamento das jurisprudências caso a súmula vinculante seja aprovada. O que cria as jurisprudências são os entendimentos dos juízes de primeiro grau, argumenta.
AMP também é contra - A Associação dos Magistrados do Paraná (AMP) é contra a aprovação da súmula vinculante. Em assembléia realizada dia 31 de janeiro, cerca de 150 juízes avaliaram que a medida acaba com sua liberdade de julgar, pois a súmula teria que ser aplicada obrigatoriamente por eles. O projeto que tramita no Congresso prevê inclusive penalidades para o juiz que desobedecer esta determinação, respondendo por crime de responsabilidade e podendo até perder o cargo, diz presidente da AMP, Guilherme Luiz Gomes.
Depois da assembléia na AMP, a Associação dos Magistrados do Brasil, por maioria, acabou aprovando o apoio à súmula vinculante. Mas a posição da AMP, até que seja alterada em outra assembléia, é contra a mudança, esclarece Guilherme Gomes. Vários setores da magistratura que eram contrários reviram suas posições e passaram a apoiar a súmula vinculante para desafogar principalmente os tribunais, que julgam milhares de recursos repetitivos, como os sobre empréstimos compulsórios, diz.
Guiherme Gomes também teme que a aprovação da súmula vinculante acabe engessando o Direito, impedindo sua evolução. Com a aplicação obrigatória das súmulas, os juízes irão apenas segui-las e não haverá mais discussão sobre os temas do Direito, avalia.


