O representante de vendas Marcelo Washington Chateaubriand está sendo acusado de ter dado um golpe de R$ 21.150,00 na Associação de Pais e Mestres (APM) do Colégio Estadual Antônio Moraes de Barros, no Jardim Bandeirantes (zona oeste), em Londrina. Chateaubriand é presidente da APM há seis anos e está foragido desde quarta-feira.
A tesoureira da APM, a comerciante Idê Costa Dias, prestou queixa contra Chateaubriand no 3º Distrito Policial, onde foi aberto inquérito para apurar o caso. Se Chateaubriand não se apresentar à polícia na próxima semana, será decretada sua prisão preventiva, segundo informou à Folha, ontem, o delegado do 3º DP, Joaquim Antônio de Melo.
Idê conta que Chateaubriand sacou R$ 20 mil da conta da APM na agência Tiradentes do Banestado, na sexta-feira antes do Carnaval. Na quarta-feira de Cinzas, Antônio Trantini Sobrinho trocou um cheque da APM no valor de R$ 1.150,00, na mesma agência. Ele recebeu o cheque de Chateaubriand como pagamento de um empréstimo. ‘‘A caixa do banco telefonou para a diretora do colégio dizendo que havia um cheque da APM para ser trocado, mas a minha assinatura não conferia com a ficha do banco’’, lembra a tesoureira da APM. A conta da APM era conjunta em nome de Idê Costa Dias e de Chateaubriand. Qualquer cheque só poderia ser descontado com a assinatura de ambos.
Idê diz que resolveu ir ao banco ver o que estava acontecendo, já que não havia assinado nenhum cheque no valor de R$ 1.150,00. Ao chegar no banco, a funcionária do caixa disse que havia descontado o cheque porque conhecia o portador. ‘‘Entramos em contato com ele, que estava com dois envelopes lacrados, entregues por Chateaubriand, destinados para mim e para a construtora que está erguendo o ginásio de esportes do colégio.’’ Os R$ 20 mil haviam sido enviados pela Fundepar (Instituto de Desenvolvimento Educacional do Paraná), órgão do governo do Estado, para pagamento das obras do ginásio de esportes da escola.
Na carta, Chateaubriand diz a Idê que estava indo embora de Londrina e que sairia do Brasil. Ele pede à tesoureira que suste os cheques da APM no Banestado. Chateaubriand está com 105 folhas de cheque da APM. ‘‘Na carta, ele fala ainda que, como não tem minha assinatura nas folhas, eu não serei prejudicada’’. Idê Costa Dias diz ter bloqueado as duas contas da APM no Banestado.
Segundo ela, Chateaubriand morava com dois filhos, de 18 e 14 anos. O mais novo estudava no Colégio Antônio Moraes de Barros até o ano passado. ‘‘Faz um mês - conta Idê - o pai pediu carta de transferência do filho, afirmando que ele iria morar na Itália com a mãe.’’ Marcelo Washigton Chateaubriand era separado da esposa. Ele morava no Jardim Bandeirantes, em casa alugada. Em outubro, viajou à Itália, dizendo que ia visitar a ex-mulher. ‘‘Não sei se ela está lá ainda’’, diz Idê.
Idê afirma ainda que a gerência do Banestado admite que falhou ao descontar o cheque. ‘‘A pedido do gerente, escrevi uma carta ao banco solicitando o ressarcimento do valor descontado indevidamente’’, afirma. Idê comunicou o ocorrido à Fundepar, que vai tomar as providências judiciais necessárias.
O delegado Joaquim de Melo já ouviu Idê e vai continuar ouvindo outras pessoas ligadas ao colégio. O delegado afirma que tem informações extra-oficiais de que Marcelo Chateaubriand estaria no Estado de Santa Catarina. ‘‘Já comuniquei a Polícia Federal para impedir que o acusado obtenha visto para sair do País’’, revela o delegado.

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