Recursos insuficientes e falta de planejamento a longo prazo são duas falhas da política de ciência e tecnologia no Brasil atualmente. As críticas foram feitas pelo presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Ennio Candotti, ontem, em Londrina. Ele participa da IX Semana do Curso de Física, da Universidade Estadual de Londrina.
Segundo Candotti, são investidos cerca de R$ 10 bilhões por ano em pesquisa no Brasil, divididos entre financiamento para pesquisas, salários e bolsas de estudo para pesquisadores. ''Esses recursos atendem apenas a 20% da demanda de pesquisas'', contalibizou.
Candotti ressaltou que 80% das pesquisas no país são feitas em universidades públicas federais. Mesmo as campeãs em pesquisa estariam sofrendo com a deterioração e não liberação de recursos. Um local com poucos pesquisadores seria a Amazônia, exemplificou. ''Para enfrentar o desenvolvimento científico na Amazônia precisaríamos de cinco mil pesquisadores na região e temos menos de mil. Para multiplicar já o quadro de pesquisadores por cinco deveríamos começar já uma política agressiva de formação de pesquisadores de cientistas, de técnicos'', explicou.
Quanto aos transgênicos, Candotti é cauteloso, mas afirma que a SBPC é favorável à liberação das pesquisas de trangênicos e com células-troncos para fins terapêuticos. Para ele, a liberação para fins comerciais deve ser analisada em cada caso. ''O que me parece mais grave é algum tipo de apropriação da natureza por alguma empresa'', enfatizou.
Otimista, Candotti disse que o país está caminhando para a melhoria das condições de pesquisa. Ele citou o exemplo das pesquisa em petróleo em águas profundas e a aviação como experiências bem sucedidas. No entanto, para que mais projetos tenham sucesso há necessidade de finaciamento, conclui.

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