Sid Sauer
De Campo Mourão
A tarifa pela coleta e tratamento de esgoto deveria custar mais caro que o fornecimento de água e não apenas 80%, como vem sendo cobrado pela Sanepar. A afirmação foi feita em Campo Mourão pelo presidente da empresa, Carlos Afonso Teixeira de Freitas, durante reunião com os vereadores do município. ‘‘Nossa proposta é que os atuais 80% sejam elevados gradativamente até se atingir o valor pelo custo do serviço’’, disse Freitas.
A afirmação do presidente da Sanepar caiu como um balde de água fria nos ânimos dos vereadores de Campo Mourão. Eles convidaram Freitas para discutir o projeto que proíbe o corte do fornecimento de água na cidade, mas queriam aproveitar a reunião para se queixar do aumento de 80% nas contas de água nas áreas da cidade que estão ganhando a rede coletora de esgoto. Até o fim do ano, a rede de esgoto em Campo Mourão saltará de 35% para 55% da cidade.
‘‘O tratamento do esgoto deveria ser mais caro que o fornecimento de água’’, disse Freitas. ‘‘Isso já acontece nos países desenvolvidos’’. Ele lembrou que até 1993 a coleta de esgoto tinha o mesmo preço que a água no Paraná e que a redução foi um ato ‘‘demagógico’’ do governo da época. ‘‘A tarifa de esgoto foi reduzida, mas aumentaram a conta da água’’, disse. Freitas argumentou que os investimentos em esgoto são mais caros do que em água.
Como exemplo, o presidente da Sanepar citou os investimentos que a Sanepar já fez em Campo Mourão. ‘‘Desde 1972, a Sanepar investiu R$ 10 milhões para fornecer água tratata a toda população de Campo Mourão’’, disse. ‘‘Para o esgoto, foram R$ 11 milhões somente para atender metade dos moradores’’. Freitas jogou outra ducha de água fria nos vereadores que acreditavam ser possível diminuir a taxa de R$ 121,93 que é cobrada como adesão à rede de esgoto.
No início da semana, o vereador Edson Battilani (PPS), chegou a ir a emissoras de rádio de Campo Mourão pedir aos moradores que não pagassem a taxa de adesão. ‘‘Os usuários já têm que pagar 80% a mais na conta de água, não precisam se sacrificar com mais essa taxa’’, disse o vereador. Freitas, no entanto, afirmou que a Sanepar precisa desse dinheiro para fazer o pagamento da parte das obras da companhia que não são financiadas.
‘‘Pelo menos 40% dos investimentos da Sanepar são pagos à vista’’, explicou o presidente. Ele disse que a empresa está batendo recorde de investimentos, mas precisa de contrapartida. A reunião desagradou aos vereadores. ‘‘A Sanepar diz que saneamento é saúde, mas saúde é dever do Estado’’, reclamou o vereador Júlio Vieira dos Santos (PDT). ‘‘A reunião só valeu pela presença da Sanepar. É sinal que ela teme nossos projetos’’, disse Edevaldo Louzano (PSL).

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