O presidente da Federação da Agricultura do Paraná (FAEP), Ágide Meneguette, disse ontem em Maringá que a entidade se reúne no dia 30 de setembro para definir uma postura diante da situação de conflito entre sem-terra e proprietários rurais. Ele não descartou a possibilidade de pedido de intervenção federal no Estado através da FAEP, que representa 180 sindicatos rurais patronais. ‘‘Não podemos mais aceitar que o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra) continue desrespeitando as leis e o governo sem fazer nada’’, afirmou.
Meneguette lembrou que nos últimos 11 anos foram mais de 180 invasões de propriedades em todo o Paraná, dos quais mais de 100 apenas no atual governo. Ele criticou a postura do governador Jaime Lerner, que não vem cumprindo as reintegrações de posse garantidas na Justiça. ‘‘Hoje são mais de 50 reintegrações, algumas emitidas há mais de um ano, mas que não resultaram na desocupação das áreas beneficiadas’’.
O presidente da FAEP também condenou a postura do Incra: ‘‘O Incra vem criando uma expectativa de assentamento que não vai conseguir cumprir’’. Pelos cálculos de Meneguette, apenas no Paraná existem mais de nove mil famílias de sem-terra atualmente. Pelos cálculos de Meneguette, se cada família receber 20 hectares, o instituto precisaria de US$ 300 milhões apenas para comprar a terra necessária para assentar todos os acampados no Estado.
‘‘Sabemos que o governo não tem tanto dinheiro para comprar terra e apenas um lote não vai resolver o problema, pois mesmo quem usa tecnologia está passando dificuldades no campo’’, disse.

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