O presidente da Comissão Pastoral da Terra (CPT) do Paraná, advogado Darcy Frigo, previu ontem em Maringá o retorno do clima de tensão entre sem-terra, fazendeiros e polícia para as próximas semanas. Ele disse que as próximas gerações de sem-terra estarão ‘‘irremediavelmente comprometidas se a reforma agrária não for feita já. Será mais uma geração de excluídos’’. Frigo fez palestra no auditório da Câmara Municipal sobre o documento ‘‘Por uma melhor distribuição da terra - O desafio da reforma agrária’’. O documento foi editado pelo Pontifício Conselho Justiça e Paz e publicado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
Ele disse que para a reforma agrária ser implantada falta ao governo assumir o problema como sendo político: ‘‘Mas a reforma agrária não está na agenda política do governo. Por isso, as soluções encontradas são apenas paliativas’’. Outro problema, disse Frigo, é a Justiça: ‘‘O rito sumário de pouco adiantou. Temos centenas de medidas cautelares nas Varas de Justiça Federal pedindo novas vistorias’’.
Darcy Frigo criticou ainda o governo do estado, que não teria cumprido acordo feito em março durante a marcha dos sem-terra a Curitiba. ‘‘Por causa disso tudo, acho que o clima de tensão poderá retornar no Paranᒒ.

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