Presidente da companhia
prefere não se manifestar
Arquivo FolhaMandelli: ‘‘Secretaria abria, diariamente, várias licitações’’O presidente da Comurb, Kakunen Kyosen, afirmou à Folha, ontem, no início da tarde, que não sabia do conteúdo do depoimento dado por Eduardo Alonso ao Ministério Público no período da manhã e por isso não poderia falar sobre o assunto. Contatado mais tarde, ele admitiu que já estava com o documento entregue por Alonso à promotoria em mãos, mas que não iria se pronunciar sobre o assunto.
No documento elaborado pelo diretor-administrativo da Comurb, ele cita o decreto municipal 133, de 11 de março de 1998, art. 1º, nº XII, que fala das competências exclusivas do secretário de Governo do município. Entre elas, está a de autorizar a abertura de processos de licitação, a expedição de publicação dos editais e a expedição das cartas-convite para compras, obras e serviços de todos os órgãos da administração direta e indireta do município, quando forem necessários procedimentos licitatórios.
O mesmo decreto também diz que cabe ao secretário de Governo e ao secretário de Obras coordenar e supervisionar a indicação das empresas a ser convidadas. Gino Azzolini Neto, que foi Secretário de Governo, disse que cumpria apenas o ato burocrático de autorizar as licitações solicitadas pela administração indireta (ver texto ao lado).
Wilson Mandelli, que assumiu a Secretaria de Governo até o dia 12 deste mês, quando deixou o cargo ‘‘para cuidar das filiações do PFL’’, partido do qual é presidente em Londrina, afirmou que o papel daquela secretaria se restringe a autorizar os processos licitatórios feitos pela prefeitura. A escolha das empresas, recebimento dos produtos e supervisão dos trabalhos fica a critério de quem solicita os serviços. ‘‘Diariamente fazíamos abertura de vários processos licitatórios.’’
Segundo Mandelli, a secretaria não é informada quando há alteração nos valores previstos na licitação. Questionado sobre o decreto que prevê a supervisão da indicação das empresas a serem convidadas pela Secretaria de Governo, disse apenas que ela não existe mais.
O prefeito Antonio Belinati (PFL) foi procurado pela Folha e também não quis falar sobre o assunto. A reportagem tentou entrevistar o gerente da filial de Londrina da Vega Engenharia Ambiental, Haroldo Olivati, mas não conseguiu localizá-lo. Segundo a secretária, ele teria retornado a ligação, mas o telefone estava ocupado. (Silvana Leão)

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