Presidente da Cepeve renuncia ao cargo
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quinta-feira, 08 de junho de 2006
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
A presidente da Central de Pesagem e Vendas (Cepeve) de materiais recicláveis de Londrina, Sandra Araújo Barroso Silva, renunciou ao cargo esta semana, alegando dificuldades para administrar os recursos repassados pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU). O pivô da crise teria sido o montante no valor de R$ 25 mil conseguidos através de convênio com a Sercomtel e que serão entregues à Central em duas parcelas. O dinheiro deveria servir para pagar aluguéis em atraso de alguns barracões utilizados pelas ONGs de reciclagem, mas grupos que não participam do mesmo convênio são contrários ao uso do recurso para aluguel.
O convênio com a Sercomtel foi a saída encontrada pela CMTU para fazer o repasse referente a junho e julho dos aluguéis às ONGs que firmaram convênio com a Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel) para este fim. Com a transformação recente da Companhia em Instituto, os repasses só poderão ser feitos mediante a aprovação do Legislativo. O projeto de lei que autoriza o Executivo a destinar recursos a empresas e entidades públicas e privadas (inclusive ONGs) sem a autorização da Câmara de Vereadores deve ser votado na sessão que vem.
Segundo o diretor de operações da CMTU, Fábio Reali, o dinheiro repassado é suficiente para os aluguéis, e ainda sobraria recursos para a Cepeve providenciar conserto de equipamentos e gastar com o que fosse necessário. ''Reconhecemos a importância do trabalho dos recicladores para Londrina e estamos cumprindo os compromissos firmados'', afirmou Reali, referindo-se a acordo feito entre município e coletores de material reciclável em abril, quando os trabalhadores paralisaram suas atividades, reivindicando melhores condições de trabalho e melhoria nos preços de venda dos produtos.
Os 18 presidentes de ONGs que participaram de reunião com a presidente da Cepeve afirmam, porém, que não estão recebendo o apoio prometido do município. ''Nosso trabalho não é reconhecido, não temos direito a nada. Estamos vivendo na ilusão'', reclama o presidente na ONG Reciclar para a Saúde, Odair Rodrigues, que não descarta a possibilidade de nova paralisação.
Ainda sem saber como agir diante da renúncia da presidente da Cepeve, os coletores informaram que devem decidir sobre uma nova greve até o próximo dia 16. Até lá eles pretendem comercializar o material que está armazenado na Central e nos barracões. ''Se não tivermos respaldo do município, não tem como continuarmos trabalhando'', disse Simone Cardoso, presidente da ONG Ressalte, que atua na Zona Sul.


