PONTA GROSSA - Apesar de ser um dos grandes defensores da reestruturação financeira do ensino superior gratuito, o reitor da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Roberto Frederico Merhy, é contrário a proposta do deputado Eduardo Trevisan (PTB), em cobrar anuidade dos acadêmicos nas faculdades e universidades públicas estaduais.
Para Frederico Merhy, que também é presidente da Associação Paranaense das Instituições de Ensino Superior (Apiesp), além de ser inconstitucional, a cobrança de mensalidade não passaria de uma medida paliativa, sem resultados concretos para as dificuldades enfrentadas pelo ensino superior. ‘‘Seria muito cômodo e também mais fácil cobrar a anuidade dos estudantes, do que cobrar a participação da comunidade nos problemas das universidades’’, disse Merhy.
Descartando a idéia da cobrança da anuidade, Merhy destaca dois aspectos que podem ser discutidos e avaliados dentro do processo de reestruturação financeira do ensino superior público e gratuito. O primeiro seria a participação das prefeituras da região onde a universidade ou faculdade está inserida, na manutenção dessas instituições. Segundo Merhy, ‘‘uma vez que o potencial dessas regiões acaba se destacando por influência direta das universidades, seria justo a colaboração das prefeituras na manutenção dessas instituições’’.
O segundo ponto, segundo o reitor, é a efetiva participação e colaboração da comunidade no processo de desenvolvimento e valorização das universidades. Citando Ponta Grossa como exemplo, Merhy explica que os segmentos organizados do município precisam ter maior participação na vida da universidade. Lembra que, além do fornecimento de mão-de-obra qualificada, a cidade que abriga uma instituição de ensino superior ainda fatura com a salário dos professores, funcionários e com a presença de milhares de estudantes de outros municípios.
Merhy defende parcerias com a comunidade organizada para reavaliar os problemas financeiros dessas instituições. Além de estar protegido pela constituição estadual, o acadêmico não pode ser cobrado por uma obrigação de competência do Estado, disse.

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