Luciana Pombo
Cerca de 1.500 biológos e ambientalistas de todo o mundo estão participando, em Curitiba, do 5º Congresso e Exposição Internacional sobre Florestas (Forest 99) que deverá discutir temas como vantagens e desvantagens da gestão municipal de áreas verdes, deficiências e avanços da pesquisa florestal no Brasil, potencialidades e limitações dos reflorestamentos e comercialização nacional e internacional de produtos florestais.
Um dos principais debates ocorridos ontem, no Centro de Convenções, teve como assunto principal o Programa Nacional de Florestas, que está em discussão e deverá fazer parte do Plano Pluri-Anual que o governo federal irá apresentar até o final de agosto ao Congresso Nacional. Segundo o secretário-executivo do Ministério do Meio-Ambiente, José Carlos Carvalho, o programa deverá delinear mecanismos para estimular o reflorestamento de áreas degradadas em todo o País.
Os recursos previstos estão estimados em U$ 350 milhões do governo federal, que deverão ser acrescidos de verbas destinadas por estados, instituições financeiras, bancos internacionais e iniciativa privada.
‘‘Temos a certeza de que os recursos serão suficientes para darmos início a uma política efetiva de meio ambiente no Brasil’’, declarou Carvalho. No orçamento deste ano, estavam previstos U$ 230 milhões.
O programa deverá se concentrar em duas grandes áreas: a Centro-Sul, onde há uso alternativo do solo para a agricultura e pecuária e que deverá ter a Mata Atlântica recuperada e a Amazônia, estabelecendo um modelo de uso sustentável da floresta tropical, gerando renda e desenvolvimento para a sociedade brasileira.
‘‘A idéia é que se faça um plano de áreas intocáveis, como reservas biológicas e parques nacionais, e outro com unidades de preservação que podem ser exploradas, como as reservas extrativistas’’, afirmou ele. O Programa Nacional de Florestas prevê que 10% da Amazônica seja transformada em unidades de conservação e exploração.
Agenda José Carlos Carvalho comentou ainda sobre a Agenda XXI, que deverá apontar os principais problemas ambientais brasileiros e servirá como base para a busca de soluções entre representantes do governo e organizações não governamentais durante o próximo milênio. Entre as principais soluções elencadas por ele para evitar a degradação ambiental estão o desenvolvimento da agricultura sustentável (desde a execução da reforma agrária até o respeito entre os limites de áreas florestais), a criação de cidades sustentáveis (evitando saturação do transporte e de indústrias poluentes), implantação de programas de ciência e tecnologia e gestão de recursos materiais renováveis e não renováveis.
O Ministério do Meio Ambiente também está preocupado com a formulação de propostas para a efetiva alteração do Código Nacional do setor, que é de 1965. Foi criado um Conselho Nacional do Meio Ambiente para estudar as alterações e apresentar um estudo completo até dezembro deste ano. Fazem parte do conselho representantes do governo federal, de governos estaduais, municípios, setor agropecuário e Confederação Nacional das Indústrias.
Entre os principais assuntos debatidos estão a recomposição das áreas legais da Floresta Amazônica, a criação de linhas de crédito para estimular os produtores a investirem no reflorestamento, a criação de possibilidades que permitam o remanejamento legal de reservas e a preservação de áreas de ocupações consolidadas em morros, beira de córregos e rios.Governo lançará o Programa Nacional de Florestas que pretende conservar 10% da área da Amazônia e recuperar a Mata Atlântica
Mauro FrassonPreservaçãoBiólogos e ambientalistas de todo o mundo participam em Curitiba do Congresso Internacional sobre Florestas. Os debates incluem pesquisa florestal, gestão de áreas verdes, comercialização de produtos florestais e muitos outros

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