Especial para a Folha
A redução no consumo de luz ou de água, o reaproveitamento do pó da madeira, a simples substituição de toalhas de papel por toalhas industriais recicláveis são iniciativas que, no dia-a-dia de uma indústria, produzirão não apenas um impacto positivo para o meio ambiente como também lucro para a empresa. São estes tipos de projetos e trabalhos que a Confederação Nacional da Indústria (CNI) pretende divulgar com a Campanha da Indústria para o Meio Ambiente, lançada ontem, em Curitiba, no auditório da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep).
Lançada nacionalmente em Brasília, em agosto do ano passado, a campanha já passou por diversos estados. Criada para incentivar as indústrias brasileiras a investir na preservação ambiental como uma boa oportunidade de negócio, a campanha vem recebendo adesão das empresas em todo País. A idéia, segundo o coordenador do Sistema Fiep, Luís Guilherme Pauli, é ‘‘conscientizar a população da necessidade de conservação do meio ambiente e do desenvolvimento sustentável’’. O trabalho se estruturará basicamente através de palestars ministradas por empresários, diretores e técnicos da CNI, do Sesi e do Senai, entre outros, além de uma estratégia de comunicação intensa junto à população.
‘‘A indústria tem procurado solucionar seus problemas porque ela sempre foi vista como a vilã do meio ambiente, quando há também outros problemas como o lixo, o esgoto não tratado que é despejado no mar. Mas quem vai resolver o problema do meio ambiente não é a indústria, mas sim a sociedade’’, diz o diretor de Análise de Estudos e Desenvolvimento da CNI, Carlos Regazzi, que vê nesta campanha justamente uma maneira de implementar ou de aumentar a parceria com a sociedade.
Pegando a região centro-sul como exemplo, Regazzi afirma que ‘‘o Brasil não tem nada a dever, em termos de gerenciamento ambiental, a países mais desenvolvidos’’. O representante da Fiep, Pauli, cita alguns exemplos da empresa Placas Paraná, da qual é diretor industrial. A empresa investiu R$ 1 milhão nom programa ‘‘Lixo que não é lixo’’, que transforma resíduo dos processadores de madeira em matéria-prima para o aglomerado. Com isto, por ano ela ganha R$ 1 milhão além de evitar o corte de 300 mil árvores. Em outro projeto, o pó de madeira é reciclado transformando-se em combustível. Com isso, dá-se um destino limpo a 1.500 tonelada de pó mensalmente além de reduzir em 40% o uso de óleo combustível.
Hoje, no Brasil, cerca de 100 empresas possuem o certificado ISO 14000, concedido às empresas que seguem as normas de preservação do meio ambiente, sendo 13 na região Sul. Mas, embora a CNI apóie iniciativas como a certificação, Regazzi acredita que muitas vezes a empresa certificada não está preocupada com o meio ambiente, mas sim em cumprir as regras determinadas pelo mercado. No Mercosul, segundo ele, o Brasil é o país mais exigente e que mais cria barreiras ambientais.

mockup