Preservação de floresta é discutida
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quinta-feira, 14 de março de 2002
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Mais da metade do Paraná, o correspondente a 58% de seu território, possui áreas de florestas com Araucárias. São aproximadamente 11 milhões de hectares de florestas com essas características. O problema é que apenas 0,08% destes remanescentes de Araucárias estão protegidos, declarados como parques ou reservas florestais. O restante continua exposto à exploração madeireira, corte para expansão da agricultura e, ainda, ao desmate por sem-terra que ocupam essas áreas.
A situação é trágica. O Paraná que, originalmente, tinha 85% de seu território coberto de florestas, hoje tem apenas 8,5% de cobertura florestal.
Evitar que essa situação se agrave é a preocupação de cerca de 150 especialistas e autoridades de diferentes setores, instituições e órgãos dos governos do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, que estão reunidos desde ontem em Curitiba, discutindo formas de conservação e uso sustentável do bioma floresta com Araucárias nos três estados.
A preocupação é preservar os 66 mil hectares de florestas mais fechadas, com uma política de conservação e uso sustentável, porque não dá para simplesmente não usarmos mais a madeira natural de uma hora para outra, sem nenhum planejamento, explica José Tadeu Mota, coodenador de Biodiversidade e Florestas da Secretaria Estadual do Meio Ambiente.
Hoje, no final do encontro, os participantes concluem um documento com propostas de políticas públicas para a área que será entregue ao Ministério do Meio Ambiente. A intenção é conseguir recursos do Programa Nacional de Florestas para viabilizar as ações. Segundo Aloisyo Costa Júnior, do Núcleo de Assessoria e Planejamento da Mata Atlântica do ministério, o objetivo do programa é justamente estabelecer políticas públicas para adequar o uso sócio-econômico e o desenvolvimento sustentável desses remanescentes.
Já foram implantados 42 programas em nove estados. Os recursos são provenientes do Programa para Florestas Tropicais do grupo dos sete países mais ricos (G-7) do mundo. O Brasil dispõe de R$ 177 milhões.
Algumas propostas a serem apresentadas, de acordo com o engenheiro agrônomo Paulo Roberto Castello, coordenador do Projeto do Bioma Floresta Araucária da Secretaria do Meio Ambiente, são: a indicação de novas áreas para conservação; criação de corredores para que a fauna possa recuperar as áreas degradadas; além de implantar uma política de agroecologia e agrofloresta, que estabeleça o uso das áreas confome suas peculiaridades.


