Durante o incêndio que aconteceu no Teatro Ouro Verde, em fevereiro, uma das grandes preocupações foi com relação à preservação da história da cidade. A FOLHA percorreu os espaços destinados à preservação de documentos e objetos históricos e constatou que o caso mais crítico está na Biblioteca Pública Municipal, localizada no Centro. Existe o risco de que parte da história de Londrina se perca, pois vários exemplares de jornais guardados na Biblioteca estão se esfarelando - os mais críticos são os da década de 1950. Os impressos estão localizados no setor de Arquivo Retrospectivo, no subsolo do prédio.
Mesmo encadernados, eles não estão resistindo à ação do tempo devido à fragilidade do papel utilizado na época. Parte deles já não está sendo disponibilizada para a consulta pública. Entre os exemplares que a Biblioteca possui estão exemplares da Folha de Londrina a partir de 1952, do Diário Oficial do Paraná a partir de 1940 e outros periódicos que circularam na cidade. Muitos deles precisariam passar por um processo de restauração.
A biblioteca não é climatizada, não possui um controle de umidade do ar nem esterilizadores e em alguns pontos há incidência de luz solar diretamente sobre o material. Vale ressaltar que nenhum dos exemplares do acervo foi digitalizado ou microfilmado.
Rachaduras
O Museu Histórico Padre Carlos Weiss, localizado na Área Central, também possui seus problemas. Em 2007 o peso do arquivo localizado no segundo andar fez o piso ceder um pouco, provocando rachaduras. A solução, para evitar um desabamento, foi transferir todo o arquivo de periódicos para a Galeria de Objetos.
De acordo com Áurea Yamane, técnica em conservação do acervo audiovisual, existe todo um cuidado com a manipulação do material. ''Sempre utilizamos luvas para digitalizar as imagens do acervo e elas ficam em um arquivo-cofre resistente a incêndios'', destaca. Ela destaca que conta com o auxílio de estagiárias do curso de História da UEL para realizar o serviço.
Segundo a coordenadora do setor de documentação do museu, Rosângela Haddad, 30% dos documentos do museu estão microfilmados ou digitalizados. Ela relata que uma das grandes dificuldades está no espaço do museu, que está ficando pequeno para a dimensão do acervo. Entre os itens, constam uma coleção de exemplares do Paraná Norte, o primeiro jornal de Londrina, de 1934, o livro de matrículas de uma escola de 1945, documentos originais do agente da Companhia de Terras do Norte do Paraná, Eugênio Brugin, com instruções para a venda de lotes de 1930.
O museu possui cerca de 1,8 mil exemplares e o Arquivo de Audiovisual possui aproximadamente 50 mil ítens entre fotografias, fitas cassete e vídeos. Já o acervo de filmes de 8 milímetros produzidos por Hikoma Udihara estão na Cinemateca em São Paulo, como parte de um acordo que a Universidade Estadual de Londrina estabeleceu com a Cinemateca.
Projetos
O secretário municipal de Cultura em exercício, José Donizetti Buzanga, afirma que um projeto foi aprovado pelo Promic, do Ministério da Cultura, e prevê a higienização e acondicionamento em papel especial de livros raros da universidade. Ele destaca que um outro projeto foi encaminhado ao BNDES e já foi aprovado na primeira fase; se passar pela segunda etapa, serão R$ 600 mil para recuperar o acervo de periódicos da biblioteca.
A diretora do Museu Histórico, Regina Célia Alegro, afirma que as condições de armazenamento são adequadas. Ela destaca que existem projetos de aprimoramento, inclusive de climatização do primeiro andar, a exemplo do que existe nas seis salas do térreo, onde são expostos os objetos. ''A concretização desses projetos depende da vinda de recursos externos.'' Ela ressalta que a prioridade para este ano será a implantação de 16 câmeras de monitoramento e a aquisição de iluminação cênica.
Já a assesoria de comunicação da Universidade Estadual de Londrina (responsável pelo museu) informa está adquirindo um servidor com maior capacidade para poder digitalizar todo o seu acervo.

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