PRESENTES INDESEJÁVEIS - Crianças 'armadas' com brinquedos perigosos
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quarta-feira, 08 de outubro de 2003
Guto Rocha<br> Reportagem Local 
O crescimento da violência em Londrina tem revelado algumas estratégias utilizadas pelos criminosos que suscitam o debatem em torno da educação que os pais têm dado aos seus filhos. Uma delas, que segundo a polícia tem sido bastante comum, é o emprego de armas de brinquedo em assaltos.
Segundo o delegado do Grupo Operacional contra Roubos e Arrombamentos da Polícia Civil em Londrina, Pedro Maomé Machado, tem sido frequente a apreensão de armas de brinquedo utilizadas por assaltantes. ''Essas armas são utilizadas principalmente por menores'', afirma.
Maomé diz que elas geralmente são contrabandeadas do Paraguai e são réplicas perfeitas das armas de verdade. ''É impressionante a semelhança dessas armas de brinquedo com as de verdade. Por isso não é aconselhável nunca, numa situação de assalto, tentar reagir por achar que a arma do assaltante é falsa'', aconselha.
O delegado afirma que a Lei 9.437/97 (sobre porte de armas) em seu artigo 10, prevê que quem for pego portando réplicas de armas de fogo, ou mesmo alguma coisa que simule uma arma, responde por crime igualmente a quem porta ilegalmente uma arma de verdade. A pena para esse tipo de crime, de acordo com a lei, varia de 1 a 2 anos, mais multa.
Na noite de terça-feira, Valmir Rodrigues Parente, 45 anos, foi preso após assaltar um posto de combustíveis na Avenida Tiradentes, no Jardim Santa Rita (zona oeste). Depois de roubar R$ 540 do caixa, ele foi detido por seguranças do estabelecimento, que perceberam que Parente usava uma pistola de brinquedo.
O delegado da Polícia Federal em Londrina, Sandro Roberto Viana dos Santos, diz que além do crime de porte de arma, a pessoa que traz essas armas, geralmente do Paraguai, pode responder por contrabando.
Às vésperas do Dia das Crianças (12 de outubro), o delegado Maomé lembra que presentear com esse tipo de brinquedo pode exercer influência negativa na educação de menores. ''Armas, de qualquer espécie, estão ligadas à violência, à morte. Defendo inclusive o desarmamento da polícia, como acontece na Inglaterra, por exemplo'', comenta. Ele observa no entanto, que aqui no Brasil a realidade ainda obriga a polícia a empregar armas porque os criminosos estão fortemente armados.
A psicóloga Fátima Cristina de Souza Conte, confirma a tese do delegado de que armas de brinquedo, réplicas ou estilizadas, podem contribuir para o desenvolvimento de crianças agressivas e futuros adultos problemáticos. ''Esse tipo de brinquedo acaba banalizando a violência e faz da agressão um ato prazeroso'', afirma.
Outro problema que esse tipo de brinquedo pode trazer para as crianças, segundo a psicóloga, é que a criança pode perceber que através do emprego da violência ela consegue obter algumas coisas que deseja.
Fátima observa que algumas pessoas defendem esse tipo de brinquedo como forma de fazer a criança extravazar sua agressividade. ''Mas isso não é verdade. Não somos como um copo que se pode esvaziar. A agressividade que todos temos naturalmente é funcional, ela é acionada quando estamos numa situação em que precisamos garantir a sobrevivência'', observa. Mas segundo ela, se a violência for estimulada pode se transformar num problema na fase adulta. (Colaborou Fernando Rocha Faro)


