Presença feminina no tráfico é cada vez maior
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quinta-feira, 19 de março de 1998
Israel Reinstein 
Hoje de cada 100 traficantes presos na Região Metropolitana de Curitiba 19 são mulheres. Nos últimos cinco anos, a polícia registrou um incremento da presença feminina no tráfico de drogas de 350%. Em 1992, dos 956 presos vendendo entorpecentes, nove eram mulheres. Já em 1997, a polícia prendeu 1.456 suspeitos de tráfico - 31 mulheres.
Na avaliação do delegado Eduardo Cabral Júnior, da Delegacia Anti-Tóxico, a crescente atuação da mulher como traficante é resultado de qualidades femininas. Ela não levanta suspeita e consegue persuadir os usuários com maior facilidade, afirma. De acordo com o delegado, a presença delas na comercialização das drogas começou a se intensificar nos últimos dois anos. Os traficantes perceberam que estavam sendo mais visados e passaram a colocar suas namoradas ou as prostitutas no ramo, diz.
Atualmente, no 9º Distrito, onde ficam detidas as mulheres que aguardam julgamento, sete das 16 detentas foram pegas vendendo drogas. A maioria, segundo registros da delegacia, são prostitutas de rua, que acabaram se envolvendo com o tráfico.
Mas o envolvimento das mulheres com as drogas não se limita apenas ao tráfico. Segundo o coordenador geral do Conselho Estadual de Entorpecente (Conen), Olien Zétola, a mulher vem consumindo mais drogas. Ela vem pagando o ônus do ingresso no mercado de trabalho, e agora procura fugas para escapar das pressões do emprego e do serviço da casa, afirma.
Zétola explica que a diferença entre o homem e a mulher viciados é cultural. Como no alcoolismo, a mulher evita se expor, porque a pressão da sociedade é maior sobre ela do que sobre o homem, explica.


