Presença de órgãos sanitários é tímida na fronteira sudoeste
PUBLICAÇÃO
sábado, 27 de junho de 2009
Wilhan Santin<br>Reportagem Local 
Santo Antônio do Sudoeste - As cidades do Sudoeste do Paraná que fazem fronteira com a Argentina são a síntese do quanto é difícil as autoridades sanitárias evitarem que mais pessoas contaminadas com o vírus da gripe A (H1N1) continuem entrando no Estado. Mesmo com o país vizinho sendo o que apresenta o maior número de mortes da América do Sul - pelo menos 26 casos - nas aduanas de Santo Antônio do Sudoeste, Capanema e Dionísio Cerqueira (SC) o fluxo de pessoas oriundas da Argentina não diminuiu nos últimos dias. Até a manhã de ontem, não havia sequer a presença de um agente de saúde para orientar viajantes nas aduanas de Santo Antônio do Sudoeste e Capanema.
Em Barracão, além de grave, a situação é curiosa. Até os moradores mais antigos do município paranaense de nove mil habitantes se confundem para saber onde estão ao andar pelas ruas da cidade, que se misturam com as vias do município argentino de Bernardo de Irigoyen e da catarinense Dionísio Cerqueira. Basta atravessar uma rua para mudar de país ou de estado, sem qualquer controle sanitário.
Na aduana turística de Dionísio Cerqueira, somente alguns funcionários da Receita Federal utilizam máscaras. Em torno de 1,5 mil carros passam por ali diariamente. Muitos são dirigidos por turistas que percorrem a Rota Bi-Oceânica, que corta toda a Argentina, passando pela região de Buenos Aires - onde está a imensa maioria dos casos da gripe A no país vizinho - e vai até o Chile, que também apresenta alto índice de contaminação.
Ao lado, na aduana de cargas, o clima é mais tenso. Um funcionário da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) se esforça para distribuir máscaras a todos os caminhoneiros. Todos os dias, em torno de 100 caminhões vindos da Argentina e do Chile passam pelo local para seguir viagem pelas estradas brasileiras. ''Depois de liberados, eles vão para diversos estados do Brasil. Tirando aqueles que têm como destino Santa Catarina e Rio Grande do Sul, todos os outros, obrigatoriamente, passam pelo Paraná'', informa o inspetor chefe da RF Arnaldo Borteze.
É o caso do caminhoneiro argentino Julio César Rivero, que leva uma carga de cebolas da região de Buenos Aires para São Paulo. Apesar da máscara, diz não ter medo da gripe. ''O interessante é que passei por toda a Argentina e não vi ninguém as utilizando. Só aqui.''
Em Santo Antônio do Sudoeste, apenas uma ponte sobre o rio que leva o nome da cidade separa o município, que se intitula a ''Capital da fronteira'', da argentina de San Antônio. Os paranaenses atravessam a ponte em busca de farinha, vinho, cerveja e gasolina. Os argentinos buscam no lado paranaense mantimentos, peças automotivas, remédios e serviços de profissionais de saúde.
Na aduana brasileira, os funcionários da Receita não utilizam máscaras. Não há postos da PF e da Anvisa. Diariamente, 1,5 mil carros passam por ali. Na pequena San Antônio, os moradores ouvidos pela FOLHA dizem não estar preocupados com a gripe A. ''Sei que há casos confirmados em localidades a apenas 300 km daqui, mas não tenho medo'', destaca Elida Aguero.
Do lado brasileiro, a preocupação é maior. Santo Antônio do Sudoeste é sede da fase regional dos Jogos Escolares do Paraná, que envolve mais de dois mil atletas. Boatos na última semana de casos confirmados na cidade causaram pânico. Por enquanto, a Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) confirma um caso de gripe A na Regional de Pato Branco, mas sem revelar a cidade. ''Estamos tomando as medidas necessárias, mesmo não tendo nenhum caso suspeito ou confirmado'', diz a enfermeira chefe da secretaria de Saúde de Santo Antônio, Grasiela Nodari.
Já na aduana de Capanema, o clima é de tranquilidade total. Apenas 100 carros, em média, passam por ali diariamente. Os poucos funcionários da RF não usam máscaras. Também não há postos da PF e da Anvisa. A fronteira está a 20 km da sede do município. Boa parte dos argentinos que buscam mantimentos do lado brasileiro, vindos da cidade de Andresito, acaba parando no mercado de Márcia Kuhn, construído ao lado da aduana. ''Além dos nossos fregueses de todos os dias, passam por aqui turistas de todos os cantos da Argentina. Porém, não estou preocupada''.
Por meio da assessoria de imprensa, a Anvisa informou que dá prioridade ao trabalho de prevenção à gripe A nas aduanas onde há trânsito de linhas regulares de ônibus, o que não é o caso das cidades do Sudoeste paranaense. (Colaborou Fernando Rocha Faro)


