Cambé – O crescimento alarmante da prescrição de ritalina para crianças da rede municipal de ensino de Cambé (Região Metropolitana de Londrina) chamou a atenção das equipes pedagógicas. O medicamento atua como estimulante do sistema nervoso central e é indicado em casos de hiperatividade. Segundo dados da Farmácia Central, o número de comprimidos repassados à população mais que dobrou nos últimos anos. No ano passado, 89 mil comprimidos foram distribuídos, contra 42 mil em 2010.
O tema será destaque na 1ª Semana de Conscientização sobre o Transtorno de Deficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), promovido pela Secretaria Municipal de Educação entre segunda e sexta-feira. A palestra "Uso de ritalina em crianças" será ministrada pela estudante de Pedagogia Maiara De Mello Barbosa. Ela aborda no Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) a medicalização no ensino. Maiara levantou dados das escolas municipais e identificou o quadro considerado grave.
O estudo se concentrou em uma escola da periferia, em que todas as salas de aula tinham pelo menos um aluno que fazia uso do medicamento. "O estudo sobre a medicalização é relativamente novo, de 2011. Muitos especialistas defendem um abuso na indicação da ritalina. Em muitos casos, o remédio é oferecido para a criança parar de incomodar", alertou. Em uma conversa com professores da escola, Maiara percebeu que eles tinham pouco ou nenhuma informação sobre o assunto.
O cenário quase sempre é o mesmo: a criança dá trabalho, os professores se queixam para os pais que procuram ajuda médica. Ao chegarem na psiquiatra, muitas crianças têm recebido as famosas receitas da ritalina, que se acumulam na Farmácia Central. "É curioso que nas férias estas receitas desaparecem do posto, como se as crianças estivessem curadas nestes meses", relatou Maiara, que trabalha no Posto de Saúde do Jardim Santo Amaro.

PROFESSOR BEM INFORMADO
A demanda é tanta que o Município não consegue supri-la. O problema, no entanto, não é exclusivo de Cambé. Atualmente, o Brasil aparece na segunda posição mundial de consumo da droga, atrás apenas dos Estados Unidos. A ritalina tem como substância ativa o metilfenidato, que atua como um estimulante do sistema nervoso central, no mesmo mecanismo de ação das anfetaminas e da cocaína. A versão mais simples e barata da droga, distribuída pelo município, tem duração de quatro horas no organismo.
A pedagoga da Secretaria de Educação, Cíntia Daquana, ressaltou que os profissionais da Educação não têm condições de contestar diagnóstico ou receita médica, porém informou que um professor bem informado pode trabalhar melhor com o comportamento diferenciado da criança. "Não questionamos a eficácia do medicamento. Há casos em que o uso é necessário, mas em muitas experiências conseguimos bons resultados na socialização do aluno em parceria com o Centro de Atenção Psicossocial (Caps)".
A programação terá foco na capacitação dos profissionais da Educação, porém às 19 horas de quarta-feira haverá uma palestra aberta à população com a psiquiatra Kamylle Mota de Pompeu, na Escola Municipal Jacídio Correia. Segundo Kamylle, a palestra vai ajudar a identificar alunos que apresentem sintomas que condizem com o TDAH e também apontar medidas necessárias quando o transtorno é detectado.

SERVIÇO
Palestra com a psiquiatra Kamylle Mota de Pompeu no dia 6 de agosto, às 19 horas, na Escola Municipal Jacídio Correia (Rua Fortaleza, 366, Vila Brasil, Cambé). É preciso confirmar presença pelo fone (43) 3174-0488 ou 3174-0301

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