Presas são transferidas para o 4º DP
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2003
Telma Elorza<BR>Reportagem Local 
A partir de hoje, todas as mulheres presas em Londrina deverão ser abrigadas na carceragem do 4º Distrito Policial (zona sul), com exceção das que estão amamentando seus filhos. Desde ontem, as detentas, que antes ficavam no 2º DP (zona leste) começaram a ser transferidas. Os presos masculinos ficarão no 2º distrito. Ontem, o delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial (SDP), Jurandir Gonçalves André, e o juiz da Vara de Execuções Penais (VEP), Roberto do Valle, chegaram a um acordo para a readequação das carceragens dos dois distritos, únicos que ainda mantêm presos temporários.
Quarenta detentos deverão ser encaminhados para a Casa de Custódia de Londrina (CCL) e outros 20 para a Penitenciária Estadual de Londrina (PEL). Com isso, a CCL terá aumentada sua capacidade máxima de 320 para 360 internos e a PEL passará de 500 para 520 internos. A VEP também conseguiu autorização para transferir mais 20 presos para Curitiba.
A decisão foi tomada depois que André e Valle fizeram uma vistoria em todos os distritos, inclusive no 3º e no 5º DPs, que já tiveram as celas demolidas. Segundo Valle, intenção é deixar os distritos com, no máximo, 80 presos. De acordo com o juiz, o acordo que permitiu a transferência dos detentos para a CCL e PEL vale apenas por 90 dias, mas para ele é tempo suficiente para que se pense em outras soluções.
''A única dificuldade é que a PEL precisava de 30 colchões, pois a reserva que eles tinham foi incinerada depois de uma praga de percevejos. A CCL também teve que resolver um problema no recalque de água para aumentar a vazão'', explicou Valle.
Segundo o delegado-chefe, as presas com bebês continuarão no 2º DP, em outra ala, separada dos setor masculino. De acordo com ele, as detentas e filhos serão alojadas na atual cela de triagem, local bem mais espaçoso e que, segundo o delegado, acomoda até 30 pessoas tranquilamente. ''Ali elas terão espaço para berços e até um banheiro próprio'', disse. Hoje, das 40 mulheres presas, apenas quatro estão amamentando seus filhos.
Para o delegado-chefe, a amamentação é um direito garantido pela Constituição Federal e que não estava sendo cumprido por falta de condições. ''Imagine se há uma rebelião e tomam as crianças como reféns? A idéia era cumprir o que determina o artigo 5º, inciso 50 da Constituição mas com segurança. Nessa ala, elas terão isso'', disse.
Além disso, segundo André, o remanejamento traz outra vantagem. Abrigando todos os homens em um único distrito, a Polícia ganha espaço. ''Hoje, temos uma média de 13,8 homens por cela. Com o remanejamento, mesmo que não tenhamos as transferências pretendidas pelo dr. Roberto do Valle, passaremos a ter 12,4 pessoas por cela. Se houver a transferência, o índice melhora ainda mais: 7,8 homens por cela'', apontou.
Até ontem, o 2º DP abrigava 97 homens e 40 mulheres e o 4º DP, 65 homens.


