A Polícia Federal em Guaíra colocou em prática nas primeiras horas de ontem a maior operação já realizada de combate ao contrabando e ao descaminho de mercadorias trazidas do Paraguai através do Lago Itaipu e Rio Paraná. Batizada de ''Cobra d'Água'', a ação reuniu cerca de 280 policiais federais que tentariam cumprir mais de 100 mandados de prisões e de busca e apreensão contra membros de seis organizações criminosas baseadas na Região Oeste do Estado.
Segundo a assessoria da Delegacia da PF em Guaíra, os mandados foram expedidos pela Vara Especializada em Crime Organizado da Justiça Federal em Curitiba. As 103 ordens - 46 de prisões e 57 de busca e apreensão - aconteceram nas cidades paranaenses de Guaíra, Altônia, Umuarama, Loanda, Goioerê e Tuneiras do Oeste, além de Mundo Novo, no Mato Grosso do Sul.
As seis quadrilhas desbaratadas pela operação se ajudavam mutuamente no contrabando pelo Lago de Itaipu/Rio Paraná e também por rodovias do Paraná e de São Paulo. Eles, inclusive, compartilhavam a vigilância sobre a movimentação de barcos e viaturas da Polícia Federal. ''As investigações revelaram que grandes carregamentos só eram deslocados por barcos quando as lanchas da PF estavam fora de operação em razão de manutenções mecânicas'', destacou a assessoria da PF.
Conforme a Polícia, praticamente todos os carregamentos de cigarro, produtos eletrônicos e confecções que entravam no Brasil pelos rios e lagos da região eram descarregados em propriedades ribeirinhas no município de Altônia, nas margens dos rios Paraná ou Piquiri. Dali, as mercadorias eram distribuídas por rodovias para os receptadores, que faziam encomendas principalmente via Internet.
Para se livrarem das fiscalizações e apreensões durante a parte terrestre do transporte das mercadorias, as quadrilhas, segundo a polícia, pagavam propina a policiais militares e civis. Dentre as 57 pessoas presas (e mais 4 adolescentes apreendidos), está um sargento da Polícia Militar Ambiental de Mundo Novo (MS). Ele é suspeito de exigir dinheiro para liberar cargas contrabandeadas em embarcações no Rio Paraná e também para não prender os pilotos dos barcos. A PF prendeu também um vereador de Altônia, acusado de comercializar roupas íntimas femininas descaminhadas como sendo de sua fábrica de confecções.
Apenas na ação de ontem, foram apreendidas mais 10 mil caixas de cigarros, 108 mil CDs/DVDs virgem, 60 mil itens diversos, 4,6 mil peças de informática, pedras preciosas, dois mil itens de perfumaria, mil peças para carros e motos, 138 pneus, 80 kg de agrotóxico, quatro armas e 36 cartuchos, 40 embarcações, 34 automóveis, 13 caminhões, três carretas, duas camionetes e duas motocicletas.

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