As presas do 2º Distrito Policial entregaram ontem ao delegado Antonio Zuba de Oliva uma carta, apelando para que uma detenta, portadora do vírus da Aids, que passa o dia deitada no corredor, seja removida da cela. ‘‘Ela vai morrer, precisa sair daqui’’, dizem.
Segundo o delegado, médicos que examinaram a doente afirmam que ela está em fase terminal da Aids. Companheiras de cela contam que ela passou por cirurgia e está com um buraco nas costas, de onde sai pus. ‘‘Ela está tossindo e vomitando sem parar.’’
Zuba de Oliva diz que terá que encaminhar a presa para o hospital, mas assim que melhorar ela retornará ao distrito. ‘‘Ela não pode ficar internada o tempo todo, ocupando uma vaga na UTI’’, diz Oliva.
Conforme informou o delegado, foi pedida prisão domiciliar da detenta há 10 dias. Ele acredita que não houve autorização porque a presa não tem residência fixa. Ela foi presa em julho por furto praticado numa loja de roupas. Com 29 anos, solteira, ela é doméstica, e morava em hotéis e pensões.
O juiz da 3ª Vara Criminal, Marcos Moura, disse que recebeu o pedido de prisão domiciliar da detenta. O pedido foi entregue ao promotor Sérgio Correa de Siqueira, para ser analisado. A Folha não conseguiu contatar o promotor.

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