Presas pedem remoção de doente
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 07 de agosto de 1997
Da Redação 
As presas do 2º Distrito Policial entregaram ontem ao delegado Antonio Zuba de Oliva uma carta, apelando para que uma detenta, portadora do vírus da Aids, que passa o dia deitada no corredor, seja removida da cela. Ela vai morrer, precisa sair daqui, dizem.
Segundo o delegado, médicos que examinaram a doente afirmam que ela está em fase terminal da Aids. Companheiras de cela contam que ela passou por cirurgia e está com um buraco nas costas, de onde sai pus. Ela está tossindo e vomitando sem parar.
Zuba de Oliva diz que terá que encaminhar a presa para o hospital, mas assim que melhorar ela retornará ao distrito. Ela não pode ficar internada o tempo todo, ocupando uma vaga na UTI, diz Oliva.
Conforme informou o delegado, foi pedida prisão domiciliar da detenta há 10 dias. Ele acredita que não houve autorização porque a presa não tem residência fixa. Ela foi presa em julho por furto praticado numa loja de roupas. Com 29 anos, solteira, ela é doméstica, e morava em hotéis e pensões.
O juiz da 3ª Vara Criminal, Marcos Moura, disse que recebeu o pedido de prisão domiciliar da detenta. O pedido foi entregue ao promotor Sérgio Correa de Siqueira, para ser analisado. A Folha não conseguiu contatar o promotor.


