Presas do 3º Distrito Policial de Londrina (Zona Oeste) tentaram fugir no final da tarde de domingo, iniciando uma rebelião que durou cerca de quatro horas. As detentas arrancaram as portas de duas celas, quebrando grades de ferro e cadeados. O policial que estava de plantão foi queimado com água quente pelas mulheres, mas nenhuma conseguiu escapar. O Pelotão de Choque da Polícia Militar (PM) foi chamado, porém não houve a necessidade de invadir a cadeia.
A confusão teve início quando o policial de plantão foi levar o jantar das detentas. Uma presa teria jogado água quente no plantonista, provocando queimaduras de primeiro grau. As prisioneiras conseguiram ganhar o corredor, iniciando o quebra-quebra.
''Apesar de ferido, o policial conseguiu fechar a cadeia, evitando a fuga. As detentas não tinham motivos para se rebelarem. Tanto que não alegavam nada, como problemas com alimentação ou de transferências'', destacou o delegado do 3º DP, Valdir Fernandes.
O tumulto foi controlado somente às 20 horas, com a negociação que contou com a participação do delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial, Jurandir Gonçalves André. Também participaram os promotores Leonir Batisti e Francisco Soares Dias Filho.
Com capacidade para 36 detentas, o 3º DP está com 62 internas. Oito estão grávidas. A maioria das internas responde por tráfico de drogas.
Ontem pela manhã, o juiz da Vara de Execuções Penais (VEP), Roberto do Valle, ainda não tinha recebido um relatório sobre a rebelião, tomando conhecimento apenas por telefone. ''Em princípio não será feito nada. Vamos esperar mais informações'', afirmou. O juiz acredita que pelo menos 10 detentas são de outras comarcas, cumprindo pena em Londrina. A reportagem tentou entrar em contato com o juiz no final da tarde, mas não obteve sucesso.
Fernandes disse que as cinco presas envolvidas na rebelião, inclusive a que queimou o policial com água quente, responderão por danos ao patrimônio e lesões corporais. Após perícia da Polícia Técnica, as duas celas danificadas durante o motim já foram consertadas. Durante a tarde, o promotor Francisco Dias Filho conversou com as detentas para ouvir as reivindicações individuais.
''Foi uma tentativa de fuga que resultou numa rebelião sem causa. Elas não tinham reivindicações sobre transferências ou sobre a qualidade da alimentação'', ressaltou o delegado.
Moradora há 12 anos em frente ao 3º DP, a dona de casa Benedita Vieira, 69 anos, chegou em casa na hora da confusão. ''Perguntei para um rapaz o que estava acontecendo, entrei em casa e fechei a porta. Não tenho medo de morar em frente ao distrito, nem quando tinha só homem preso'', afirmou Benedita, que acompanhou parte da confusão do portão de casa. (Colaborou Fernando Rocha Faro)

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