Érika Pelegrino
De Londrina
O juiz corregedor dos presídios de Londrina, Roberto do Valle afirmou ontem que está aguardando que a 2ª Vara Criminal de Londrina envie a carta guia para montar a execução de sentença da detenta Antonieta Grudin Góes. Na execução de sentença o juiz irá solicitar para a Vara de Execuções de Curitiba autorização para transferir a detenta para a Penitenciária Feminina do Estado, em Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba).
Antonieta Góes está presa no 2º Distrito Policial de Londrina. Ela foi condenada a cinco anos de prisão em regime fechado por tráfico de drogas, crime considerado hediondo e sem direito a benefícios. No último dia 9 ela deu à luz a duas meninas – Vitória e Camila.
A detenta recusa-se a dar entrevistas, mas segundo a delegada titular do 2º DP, Waldete Testoni, ela não quer ser transferida para a penitenciária de Curitiba, onde poderia permanecer com as filhas recém-nascidas, já que existe um berçário no local. A alegação de Antonieta Góes, de acordo com a delegada, é que ela tem outros três filhos e não quer ficar longe deles.
‘‘Ela me disse que uma das filhas vai ficar desesperada ao saber que a mãe irá para Curitiba, por ser muito apegada a ela. Esta menina sempre manda cartas para a mãe e não perde uma visita’’, disse a delegada. Waldete Testoni afirmou ainda que a detenta, quando for transferida, prefere deixar as filhas recém-nascidas em Londrina com uma tia.
As meninas estão passando o dia no 2º DP para serem amamentadas e a noite vão para a casa desta tia. Segundo o juiz Roberto do Valle não há uma previsão de quando a presa será transferida. ‘‘Na 2ª Vara me informaram que enviariam a carta guia amanhã (hoje), mas pode atrasar’’, afirmou o juiz.
Roberto do Valle disse também que além da autorização da Vara de Execuções de Curitiba para que a transferência seja efetuada, é preciso aguardar que haja vaga na penitenciária, o que segundo ele, pode levar de 15 a 20 dias. No início deste ano outras três detentas – Alcilda Alves Berto, Rita de Cássia Henriques e Maria Cristina Nalevaiko – foram transferidas para Piraquara, após polêmica em torno da separação dos bebês de suas mães durante período de amamentação.
As presas não foram autorizadas pela promotora da Vara da Infância e Juventude, Édina Maria Silva de Paula a ficar com seus bebês por entender que o local oferecia risco à saúde das crianças.
A promotora afirmou à Folha que nenhuma providência foi tomada para dar condições às detentas de permanecerem com seus bebês no 2º DP. Uma das medidas seria a criação de cela especial exclusiva para gestantes e mães em período de amamentação e creche. O distrito conta com 52 detentas, duas estão grávidas.

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