Uma equipe da Polícia Civil de Londrina prendeu, no início da madrugada de ontem, Valdirene Bueno, que teria jogado álcool e ateado fogo contra o corpo da filha de cinco anos, no início de janeiro. Valdirene, que estava foragida, foi localizada em um motel na cidade de Assis (interior de São Paulo). Segundo o delegado-chefe da 10ªSubdivisão Policial (SDP), Sérgio Barroso, policiais já haviam tentado prendê-la na semana passada, mas não a haviam encontrado.
  Valdirene, que teve a prisão temporária decretada, responderá por tentativa de homicídio (pena de seis a 20 anos de prisão). De acordo com o delegada Elaine Ribeiro, o inquérito deve ser concluído no máximo até quarta-feira e será requerida a prisão preventiva da acusada. ‘‘Em depoimento, a menina apontou a mãe como autora do crime, versão corroborada pela irmã de três anos. Valdirene teria se irritado ao ver a filha mexendo na geladeira. Ela também se contradisse nos depoimentos, dizendo primeiro ao Conselho Tutelar que havia passado álcool nos braços da filha devido às picadas de inseto e ao passar perto do fogão se queimou. Ao ser presa, contou que só após sentir um cheiro de queimado viu a criança pegando fogo’’, argumentou a delegada. Nos autos também constam depoimentos de vizinhos e familiares.
  Em entrevista à imprensa, Valdirene negou a autoria do crime. ‘‘Estava na sala vendo TV e ao sentir cheiro de queimado fui até o quarto e vi a minha filha pegando fogo. Ela estava brincando com álcool’’, relatou. Ao ser indagada por que a criança foi socorrida apenas 14 horas depois da agressão, depois que um parente chegou na casa e acionou os bombeiros, Valdirene respondeu que a filha não reclamava de dor e disse que poderia esperar a chegada do pai na manhã seguinte para levá-la ao hospital. ‘‘Fugi porque temia ser presa. Sou pobre, não tenho advogado e estou mal por ser acusada de algo que não fiz’’, finalizou. A mulher foi encaminhada ao 3º Distrito Policial (DP) e ficaria em cela separada para evitar a agressão das outras detentas.
  A menina teve 30% do corpo queimado, sendo atingida nos membros superiores, face, tórax e coxa e ficou internada na Ala de Queimados do Hospital Universitário (HU). Segundo a conselheira tutelar Ana Lúcia Walichek, que está à frente do caso, a garota está vivendo com uma família substituta. ‘‘Ela está bem física e psicologicamente, e está sendo acompanhada pelo Ministério Público, Conselho Tutelar e um psicólogo do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS)’’, informou.
  De acordo com Ana Lúcia, as duas filhas mais novas de Valdirene, uma de quatro e um bebê de seis meses, estão sendo assistidas por uma família e a intenção é deixar as irmãs juntas. Um outro filho, de nove anos, que também teria sido agredido em 2005 pela mãe com marteladas na mão encontra-se há mais de três anos abrigado em uma instituição da cidade.

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