A Polícia Civil de Foz do Iguaçu prendeu na noite de anteontem, a quadrilha que assaltou e assassinou o mototaxista Otávio Dionísio, 42 anos, no início da semana. Foram presas cinco pessoas, entre elas, três menores de idade, sendo uma garota, que confessaram o crime.
Foram presos Reinaldo Gonçalves Cunha, 19 anos, E.P.S.J., o ‘‘Gnomo’’, de 16 anos, J.C.J.S., o ‘‘Pinóquio’’, de 17 anos, e a garota P.S., de 15 anos, que é mulher de Cunha e está grávida de dois meses. No momento da prisão todos estavam na casa de Pinóquio. Também foi preso José Bastos, 46 anos, que seria dono da casa alugada pela quadrilha para esconder as motos roubadas. A polícia chegou até a quadrilha por informações de telefonemas anônimos.
Ney de SouzaEmergênciaOs cinco presos, incluindo os três menores, foram retirados às pressas do 1º DP, por causa da manifesta-
ção dos mototaxistas; polícia temia tumultosNo local da prisão, a polícia encontrou a moto do mototaxista assassinado, dois revólveres, além de fotos que os integrantes do quadrilha tiravam ao lado das motos que roubavam. Segundo informações da polícia, a quadrilha também confessou outros três assaltos a mototaxistas.
Ontem à tarde, cerca de 100 mototaxistas realizaram um protesto em frente ao Fórum para pressionar o juiz Valter Parcewski da 2ª Vara Criminal, a decretar a prisão preventiva de Cunha. Ele confessou à polícia ser o autor do disparo que matou Dionísio.
Os mototaxistas teriam obtido informações junto à polícia de que a Justiça poderia não decretar a prisão de Cunha, porque teria se esgotado o prazo de flagrante. Uma comissão de mototaxistas tentou falar com o juiz que se recusou a atendê-los.
Do Fórum, eles seguiram para o 1º Distrito Policial, onde Cunha e os menores estavam presos. Temendo tumultos, a polícia retirou os menores do local.
Os assaltantes relataram à polícia que ‘‘Gnomo’’, com aparência de 12 anos, servia de isca da quadrilha, contratando os serviços dos mototaxitas. Ele teria dito à polícia que quando o motoqueiro chegava para apanhá-lo, pedia que o levasse ao local onde se encontraria com o restante da quadrilha. No local combinado, o mototaxista recebia voz de assalto. Enquanto ‘‘Gnomo’’ fugia a pé, os outros assaltantes roubavam a moto. ‘‘Gnomo’’ recebia R$ 150,00 pelo serviço. Ontem à tarde, a mãe dele, que não quis se identificar, disse, chorando muito, que o ‘‘filho é uma criança e que foi usado pela quadrilha’’.
De acordo com o depoimento dos assaltantes, cada moto roubada era vendida em Ciudad del Este, no Paraguai, por R$ 1,2 mil. O delegado do 1º Distrito Policial, Andrei Renan Cordeiro, também solicitou a prisão de outros três homens que estariam envolvidos como o roubo de motos na cidade. Eles seriam os responsáveis pela travessia das motos para o Paraguai e foram identificados apenas com ‘‘Cabrito’’, Moacir e Marconi.
Até o final da tarde de ontem o juiz Parcewski não tinha decretado a prisão de Cunha. ‘‘Temos todos os elementos necessários para a decretação dessa prisão. Daqui a pouco vamos ter que soltar esse cara, mesmo ele tendo confessado o assassinato’’, reclamou o superitendente da Polícia Civil, Rubens Rossa.
Segundo cálculos da Comissão Pró-Associação dos Mototaxistas de Foz do Iguaçu, desde que o serviço foi implantado na cidade, há cerca de dois anos, foram roubadas aproximadamente 60 motos. A prestação deste tipo de serviço funciona de maneira irregular. Mesmo assim, cerca de 250 pessoas trabalham como mototaxista em Foz.

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