Dez pessoas acusadas de fraudar o INSS foram presas na manhã de ontem, durante uma operação conjunta entre Ministério da Previdência Social, Ministério Público Federal e Polícia Federal (PF). A prisão da quadrilha aconteceu em Abatiá, onde funcionava um escritório utilizado para articular o golpe que fez vítimas em cidades do Norte do Paraná (Cornélio Procópio, Itambaracá e Abatiá) e do interior de São Paulo. O golpe, que tinha a participação de sindicatos rurais, gerou um rombo de R$ 3,5 mi na Previdência. A fraude estava sendo investigada há um ano e meio, por causa de uma denúncia anônima. Um total de 360 processos serão analisados.
A ''Operação Encostado'' como está sendo chamada pela PF, cumpriu dez mandados de prisão e 11 mandados de busca e apreensão. Das dez pessoas presas, cinco são servidores públicos, dois são presidentes de sindicatos rurais (um de Itambaracá e outro de Abatiá), e dois são parentes (filho e irmão) do principal responsável pelo golpe, que comandava um escritório em Abatiá. Os nomes dos envolvidos estão sendo mantidos em sigilo. Com exceção dos servidores públicos, os outros tiveram a prisão temporária solicitada por cinco dias.
De acordo com o delegado da PF, Joel Ciccotti, o golpe era aplicado por um intermediário que mantinha um escritório (supostamente de advocacia) na cidade de Abatiá. Através dos dois presidentes de sindicatos rurais, ele conseguia requerimentos falsos, com documentos que comprovavam a aposentadoria de trabalhadores rurais. ''De posse dos documentos ele solicitava os benefícios que eram concedidos com a ajuda dos funcionários do INSS envolvidos'', explicou Ciccotti. O mesmo golpe também era aplicado em Limeira (interior de São Paulo).
Os trabalhadores rurais que tiveram os pedidos dos benefícios feitos, eram obrigados a pagar parcelas para o responsável do escritório. No Paraná eram exigidas seis parcelas da aposentadoria. No interior de São Paulo, eram exigidas oito parcelas. A polícia está investigando se todos os trabalhadores são vitimas do golpe ou se foram coniventes com a quadrilha.
Em alguns casos os benefícios eram indeferidos e solicitados novamente para que o INSS pagasse multas para os beneficiários.
A quadrilha foi descoberta depois de uma denúncia anônima. As investigações concluíram que o intermediário do golpe era procurador de mais de uma centena de benefícios, nos mesmos sindicatos rurais, o que gerou a suspeita. Os integrantes vão responder por vários crimes, entre eles, estelionato, formação de quadrilha e falsificação de documentos. O principal crime é de corrupção. A pena é de dois a doze anos. O golpe estava sendo aplicado desde 2004.

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