Presa quadrilha de roubo de cargas
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 02 de fevereiro de 2011
Michelle Aligleri<br>Reportagem local 
Corrupção e desvio de cargas. Estes foram o foco de a Operação Trinca-Ferro, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Paraná. Na tarde de ontem foram divulgados os resultados de mais de dois anos de investigações realizadas em 21 cidades de sete estados brasileiros. Foram presas nove pessoas e cumpridas dezenas de mandados de busca e apreensão. Investigações apontam que houve um desvio de mais de R$ 2 milhões.
Até a tarde de ontem haviam sido presos dois motoristas de caminhão e quatro pessoas acusadas de pertencer à quadrilha, em Maringá e Paranavaí (Noroeste). Segundo o Gaeco, também foram presos um policial Civil de Pitanga (Centro) e funcionários públicos estadual e municipal.
De acordo com o coordenador estadual do Gaeco, o procurador de Justiça Leonir Batisti, a investigação começou com base na observação de muitas notícias de roubos de cargas que não estavam sendo apurados no Paraná. ''Percebemos que em alguns casos os boletins de ocorrência haviam sumido e em outros havia alteração no sistema informatizado'', disse.
Batisti explicou que a quadrilha agia contactando os motoristas. ''Eles levavam a mercadoria e orientavam que o motorista fizesse boletim de ocorrência. A carga era vendida para terceiros'', afirmou. Conforme Batisti, com o esquema, além da quadrilha de pelo menos quatro pessoas, também ganhavam o motorista, um policial civil e dois funcionários que prestavam serviços para a Polícia Civil registrando os boletins de ocorrência no sistema. ''Eles furtavam a carga, corrompiam policiais que recebiam a corrupção, falsificavam boletins de ocorrência, introduziam dados falsos no sistema da polícia e ainda existe algum caso de lavagem de dinheiro'', enumerou o procurador.
De acordo com o procurador, entre 2007 e 2010 o Gaeco catalogou 18 roubos de cargas ligados a esta quadrilha. ''Estimamos que o dinheiro angariado por este grupo de pessoas é de cerca de R$ 2 milhões'', disse. Algumas das cargas roubadas foram de ferro, fertilizantes, açúcar, semente, tecidos, cosméticos e tratores. Conforme ele, alguns caminhões estavam apenas de passagem pelo Paraná, por isso o envolvimento de sete estados na operação. ''Não considero o Paraná um estado visado. Este tipo de crime ocorre em todo o país, o que chama atenção é a sofisticação, já que não era um assalto. Eles aliciavam o motorista, que também ganhava com isso'', explicou.
A operação teve a participação dos núcleos do Gaeco de Guarapuava, Curitiba, Londrina, Maringá, Cascavel e Foz do Iguaçu, além das unidades de SP, RS, SC, MT, GO e RO, além do apoio das polícias Civil e Militar.


