Uma quadrilha de estelionatários, que daria prejuízos de R$ 20 milhões mensais a bancos e operadoras de cartões de crédito, foi desmantelada, em uma operação realizada, simultaneamente, em Curitiba, na capital e municípios gaúchos de Porto Alegre, Novo Hamburgo, Canoas e São Leopoldo, além de São Paulo. Os seis integrantes da quadrilha seriam os responsáveis por um dos maiores esquemas de fabricação de cartões de créditos e de débitos falsos do Brasil e abasteceriam outros grupos criminosos com as cópias.
Segundo o delegado operacional do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), Renato Bastos Figueiroa, que coordenou a investigação, a quadrilha atuava há, no mínimo, 11 meses -tempo que duraram as investigações. Foram cumpridos seis mandados de prisão temporária e dez de busca e apreensão, durante a operação chamada de "Trilha Falsa", batizada assim em razão do nome do local (trilha) onde ficam os códigos dos dados no cartão. Quatro pessoas ainda estão sendo procuradas pela polícia.
"Eles agiam com clonagem de cartão de crédito. Conseguimos estourar a origem da fraude", afirmou o delegado. As investigações mostraram que os suspeitos agiam com ousadia e habilidade para enganar diversos comerciantes. "Um dos modos de atuarem era se passar por falsos técnicos", explicou Figueiroa.
Os criminosos entravam nos estabelecimentos, apresentavam-se como técnicos e diziam precisar retirar as máquinas POS -aparelhos em que os comerciantes inserem os cartões para efetuarem os pagamentos dos clientes. "Ao tirarem as máquinas, eles deixavam outra com 'chupa-cabra' por cerca de dez dias", mencionou. O esquema seria facilitado por um funcionário de uma empresa terceirizada de manutenção das máquinas de leituras dos cartões.
O aparelho com chupa-cabra, que é um sistema pirata para copiar as informações digitadas durante o uso dos cartões, era retirado novamente dos estabelecimentos. Com as informações contidas no aparelho, eles fabricavam os clones de cartões. "Eles faziam duplicatas de cartões já existentes", detalhou o delegado.
Para a fabricação dos clones eram usadas "impressoras embolsadoras". "São específicas para a confecção desses cartões". Seis dessas impressoras, 70 máquinas que fazem leituras dos cartões, notebooks, CPUs, pendrives, diversos telefones celulares e centenas de cédulas de identidade em branco e já preenchidas foram apreendidas durante a operação.
Todos os presos estão sendo acusados de formação de quadrilha, estelionato, falsidade ideológica, uso de documentos falsos. Eles ficarão detidos no Cope até o fim dos interrogatórios. O delegado deve pedir à Justiça, com base nas apreensões, a conversão das prisões temporárias para preventivas.

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