Presa no Paraguai poderá ser julgada até dezembro
A londrinense Rosemary Garcia Ferreira, presa no Paraguai acusada de tráfico de drogas, pode ser julgada até o final do ano. A informação é do irmão da acusada, o advogado Jorge Custódio Ferreira, que esteve anteontem em Assunção, acompanhando as cinco testemunhas de defesa de Londrina que prestaram depoimento à Justiça paraguaia.
As testemunhas relataram a um auxiliar do juiz Gustavo Ocampos Gonzalez que Rosemary é de boa índole e foi enganada por uma quadrilha de traficantes. No dia 4 de maio de 1996 ela foi detida no aeroporto em Assunção com quatro quilos de cocaína e afirma ter sido obrigada a carregar a droga sob ameaça de morte.
Ela tem um bom caráter e foi induzida e levada por pessoas inescrupulosas que tentaram tirar vantagem da sua ingenuidade, afirma o vice-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Subseção Londrina, Lauro Zanetti, uma das testemunhas.
O vereador Célio Guergoletto (PMDB) prestou depoimento sobre o projeto de lei que elaborou com base no caso Rosemary. A lei exige que o interessado em publicar um anúncio para contratar modelos, secretárias, entre outros, deve apresentar vários documentos e assinar um termo de responsabilidade cível e criminal caso ocorram problemas decorrentes da publicação. Rosemary foi parar no Paraguai após responder a um anúncio de emprego.
Também prestaram depoimento o amigo da acusada, Agnaldo dos Santos, e os vizinhos da família, Adriana e Ulysses Dalmann. Após serem ouvidos pela Justiça, as testemunhas visitaram Rosemary na Penitenciária Correcional de Mulheres Bom Pastor. Fisicamente, ela está bem, observa Zanetti.
O grupo também manteve contatos com o presidente da Comissão Nacional dos Direitos Humanos, Luiz Alfonso Resch, e a diretora-geral do Ministério da Integração e Relações Exteriores, Nina Oviedo Detolares. Pedimos empenho deles no caso da Rosemary, relata Custódio.
Até agora já foram ouvidas sete testemunhas - as duas primeiras prestaram depoimento no final de agosto. Segundo Custódio, outras cinco pessoas podem ser ouvidas através de carta rogatória. Ele informa que os advogados irão agora avaliar os depoimentos e verificar se há necessidade de novas provas. Se não houver necessidade, o julgamento deve ocorrer dentro de três meses, observa.
Custódio afirma que a defesa está tentando a mudança de tipificação do crime (de traficante para portadora), fazendo com que, em caso de condenação, a pena seja reduzida de 10 a 25 anos para 5 a 15 anos. Como ela tem bom comportamento, poderia ser solta nos próximos meses, avalia.Arquivo FolhaA londrinense Rosemary foi presa
sob acusação de traficar drogasLucilia Okamura





