Presa em Sarandi aliciadora de garotas
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quarta-feira, 12 de agosto de 1998
Lucinéia Parra 
A Polícia de Sarandi (7 km ao norte de Maringá) prendeu na tarde de anteontem uma prostituta que estava aliciando menores para trabalhar como garotas de programa em Foz do Iguaçu e no Paraguai. Andrea Magalhães de Souza, 24 anos, vai responder inquérito por crime de tráfico internacional de mulheres, rapto e favorecimento à prostituição. Ela foi presa depois de confessar que tinha providenciado a viagem de duas menores na tarde de anteontem para Foz do Iguaçu, onde elas trabalhariam como prostitutas.
As menores foram identificadas em Ubiratã (96 km ao sul de Campo Mourão) pela polícia da cidade e levadas para Sarandi. Para localizar as menores F. e R., a polícia de Sarandi agiu com rapidez. Uma equipe de investigadores começou o trabalho logo após a denúncia da mãe de F., a dona de casa Maria Belina Cardoso da Silva, 37 anos. Ela encontrou um caderno da filha e uma carta onde F. afirmava que tinha ido trabalhar em Mandaguaçu.
O caderno e a carta tinham sido deixados sobre uma bicicleta que Maria Belina usa todos os dias para buscar a filha mais nova na escola. Ela colocou o caderno na bicicleta para eu ver mesmo, disse. Imediatamente, Maria Belina foi até o colégio onde F. estuda para conversar com a filha.
Marcos NegriniAliciadoraAndrea Magalhães de Souza, responsável por agenciar garotas bonitas para trabalhar em Foz e no ParaguaiFiquei desesperada quando a diretora disse que ela não tinha ido na aula e que no dia anterior ela tinha se despedido de todo mundo afirmando que iria morar com o pai dela, contou Maria Belina. Depois da escola, a dona de casa fez a denúncia na Delegacia de Sarandi.
Uma equipe de investigadores foi até o colégio e, através do depoimento de uma colega de F., começou a investigar a denúncia de que Andrea estava na cidade agenciando meninas para trabalhar em boates de Foz do Iguaçu. A estudante M., 17 anos, afirmou para os policiais que tinha sido procurada por uma amiga alguns dias antes e apresentada a Andrea e à irmã dela.
Andrea teria convidado M. para trabalhar em uma boate onde ganharia R$ 1 mil e ainda teria um carro com chofer e um apartamento só para ela. Andrea, também teria dito que M. iria se dar bem porque é loira como os homens da máfia gostam. Segundo M., Andrea também tinha contatado com F. e R., fazendo o mesmo tipo de proposta a elas.
Com as informações fornecidas por M., a polícia foi até a casa de Andrea, que a princípio negou as acusações. Depois acabou confessando que é garota de programa e que faz strip-tease na boate Kiss, localizada na Avenida Tancredo Neves, em Foz do Iguaçu.
Andrea disse que trabalhava na boate há seis meses e que foi convidada pelo dono, um homem conhecido por Jacson, a ser gerente do estabelecimento. Conforme Andrea, Jacson não é brasileiro. Como gerente, Andrea teria que contratar garotas bonitas. Ela estava agenciando meninas em Sarandi porque já tinha morado na cidade.
Ainda segundo Andrea, F. e R. deveriam ser encaminhadas para trabalhar fora do Brasil, provavelmente no Paraguai, onde a fiscalização sobre menores é menos rigorosa. Andrea afirmou que tinha avisado as meninas que elas iriam trabalhar como prostitutas.
No interrogatório policial, Andrea relatou que tinha embarcado F. e R. para Foz do Iguaçu às 15 horas de terça-feira. Um funcionário da boate de Foz comprou as passagens de ônibus e as encaminhou para Andrea, em Sarandi. Em contato com a polícia de Ubiratã, cidade por onde o ônibus passaria no final da tarde de anteontem, os investigadores de Sarandi fizeram o alerta.
A polícia de Ubiratã não teve dificuldade para identificar F. e R., que foram levadas para Sarandi por uma equipe de investigadores que havia se deslocado para Ubiratã logo após a confissão de Andrea. Ontem de manhã, F. e R. prestaram depoimentos e afirmaram que tinham sido convencidas por Andrea a ir trabalhar na boate de Foz do Iguaçu. F. disse que Andrea chegou a afirmar que ela iria ganhar R$ 2,5 mil por mês. As duas negaram que tinham sido informadas que teriam que se prostituir.
De acordo com o delegado José Aparecido Jacovós, Andrea será indiciada por tráfico internacional de mulher, rapto e favorecimento à prostituição. A pena pode variar de seis a 12 anos de prisão. Jacovós também vai solicitar investigação por parte da Polícia Federal de Foz do Iguaçu sobre a identidade de Jacson que, segundo ele, deve estar ligado ao tráfico internacional de mulheres. Se não fosse a carta deixada por F. à mãe dela, este seria mais um caso de adolescentes desaparecidas no Estado, acredita o delegado.


