A detenta Érika Cristo Lima, 19 anos, vai ser removida para a ala feminina da Prisão Central de Curitiba, onde há berçário, para amamentar o filho que deu à luz na madrugada de segunda-feira. A transferência deve ocorrer até o final da semana. A mãe está presa na ala feminina do 2º Distrito Policial (DP) e, ao saber da notícia da transferência, teve uma crise nervosa. Chorando, pediu ao delegado para não ser transferida.
‘‘Pelo amor de Deus, deixem eu amamentar meu filho sem precisar ir para o presídio. Ele não deve nada a ninguém, tem o direito de ser amamentado. Tenho outro filho de um ano e sete meses e também não quero me separar dele’’, disse Érika ao delegado José Antônio Zuba de Oliva, do 2º DP. O delegado explicou que a transferência está fundamentada pela Constituição, que determina que a criança tem direito de ser amamentada. O bebê não pode ficar junto da mãe na cela do 2º DP devido à superlotação, falta de higiene e insalubridade do local.
Érica foi condenada há 22 anos, em regime fechado, por latrocínio (matar para roubar), crime classificado como hediondo. Ela foi denunciada pela morte do engenheiro Edilson Onishi, em 12 de maio de 1995. Coincidentemente, dois anos depois (na mesma data) ela deu à luz ao filho. Outra coincidência: nos autos consta que o crime foi cometido por volta das 4 horas da manhã, mesmo horário em que a criança nasceu, na Maternidade Municipal Lucilla Ballalai. O bebê chama-se Felipe Matheus, nasceu com 50 centímetros e pesando 3 quilos e 190 gramas.
O pai da criança, Heuler Jovi de Almeida, 21 anos, está preso na ala masculina do 2º DP e foi condenado a 21 anos pelo mesmo crime. Ele também pede para sua mulher não ser transferida com o bebê. Ele só poderá ver o filho no próximo dia 3 de julho. De acordo com as normas disciplinares do distrito, os pais detidos podem ver os filhos de zero a 12 anos apenas uma vez por mês. Nilton Gonçalves da Silva, autor do disparo que matou Onishi, fugiu do 3º DP e ainda não foi localizado. Ele não foi julgado.
O juiz da Vara de Execuções Penais de Londrina e corregedor dos presídios, Roberto Ferreira do Valle, entrou em contato com a direção do Presídio Central ontem à tarde para providenciar a vaga para a Érika e seu bebê. Roberto do Valle enfatizou que ela está condenada, e por isso não tem direito à liberdade para amamentar o filho em casa. Ele informou que está tentando diminuir sua pena com um recurso no Tribunal de Justiça em Curitiba. A transferência de Érika foi autorizada pelo juiz da 5ª Vara Criminal, Sérgio Gomes.
Na semana passada, a detenta Fernanda Aparecida Lima de Moraes foi colocada em liberdade condicional para amamentar o filho em casa. Fernanda foi presa por extorsão e, segundo o inquérito que tramita na Justiça, a vítima é desconhecida. Ela ainda não foi julgada.

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