O depoimento de Ângela Gomes Ferreira, 22 anos, presa há duas semanas pela Polícia Federal quando tentava levar um Fiat Uno roubado na avenida Brasil, em Foz do Iguaçu, para o Paraguai, confirma a participação de policiais civis na negociação com presos para evitar o flagrante. Ela já foi presa 12 vezes.
Contrariando o delegado da Polícia Federal, David Makarauski, que na semana passada negou que ela tenha envolvido policiais em casos de roubo de carros e facilitação na passagem de veículos roubados para o Paraguai, a Folha teve acesso ao depoimento de Ângela, confirmando essa participação.
Presa em companhia do namorado, Leonardo Haspel, 22 anos, Ângela chegou a ser enviada para um abrigo de menores infratores alegando que era menor de idade. Uma semana depois, ela foi recapturada e a polícia descobriu que ela era maior.
‘Taxa’ Ângela diz que a negociação para evitar o flagrante é utilizada há muito tempo por policiais de Curitiba, onde esteve presa. No início, segundo ela, chegou a pagar R$ 600,00 para não ser autuada em flagrante. Hoje, o ‘‘preço’’ cobrado pelos policiais, de acordo com o depoimento, é de R$ 5 mil.
Pela denúncia, que consta no depoimento ao delegado, as negociações em Foz do Iguaçu teriam sido propostas por policiais do 3º Distrito (região do Porto Meira) e 6ª Subdivisão de Polícia Civil.
Ainda preso O advogado Luiz Eduardo de Souza, defensor do agricultor Reni Callegaro, ainda não entrou com pedido de habeas-corpus. Ele está preso na Delegacia da Polícia Federal desde o início do mês e delatou esquema de roubo de carros e passagem de veículos roubados para o Paraguai envolvendo policiais civis e militares.

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