Londrina - Na manhã de ontem várias pessoas, munidas com baldes, panos, esponjas, vassouras e produtos de limpeza, preparavam os túmulos para o Dia de Finados. "Meus pais e minha filha estão sepultados aqui", apontou o segurança aposentado Benedito Alves, de 69 anos, que estava ontem no Jardim da Saudade.
Ele ressaltou que não dá para deixar essa limpeza par o último dia porque muitas vezes acaba a água. Raciocínio semelhante ao do casal Eunice e Jorge Rossi. "Chegando antes não há tumulto e não falta água para lavar o túmulo. Deixando tudo para o último dia a gente corre esse risco", ponderou.
Existem pessoas que fazem da limpeza de túmulos o seu ofício. Helena Fernandes, de 63 anos, está há 36 anos fazendo esse trabalho no Cemitério Padre Anchieta (zona leste). "Comecei vendendo flores artificiais aqui na frente", lembrou. Helena explicou que que começou a limpar túmulos porque os visitantes perguntavam se podia fazer esse serviço. Ela conta que a renda mensal não chega a um salário mínimo e que precisa lidar com o calote de algumas pessoas.
Roseli Campos, de 37 anos, lava túmulos há 22 anos e seus dois filhos (Carlos Henrique, de 19, e Ritiele, de 22) acabaram seguindo a mãe na função. "Meus dois filhos foram criados aqui." Todos eles relatam que o serviço mais difícil é limpar as peças de bronze. "Contratam a gente, mas não fornecem produtos de limpeza e o custo disso é alto", afirmou Carlos. (V.O.)

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