PREPARAÇÃO - Alunos relaxados e ansiosos dão o mesmo trabalho
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segunda-feira, 03 de julho de 2017
Simoni Saris<br>Reportagem Local 
Na prática diária de orientação, a diretora pedagógica Silvia Helena de Carvalho e a coordenadora pedagógica Marli Carrion, de um colégio de Londrina, atestam: os alunos mais relaxados e os mais ansiosos dão o mesmo trabalho. "Os que ainda não perceberam a importância do momento e esperam que o professor vá passar o conteúdo por osmose, dão trabalho. O conhecimento se constrói pelo pensamento. Esses alunos precisam ser estimulados para tirá-los da zona de conforto", destacou a diretora.
Para os ansiosos, afirma Carrion, a conduta dos profissionais do colégio é elaborar um plano de estudos individual que pode ser adaptado ao longo da prática. "Os ansiosos procuram muito o aconselhamento individual. Esses precisam tirar um tempo nas férias para descansar", diz ela. "É pressão (arterial) que cai, pressão que sobe, sudorese...", acrescenta Carvalho, enumerando a lista de sintomas que acometem aqueles que não conseguem se desligar dos estudos.
A estudante de cursinho Raquel Bera Gallindo Perez, 17, vai tentar pela segunda vez o vestibular para a faculdade de direito. Em 2016, ela passou na primeira fase do vestibular da UEL (Universidade Estadual de Londrina), mas não teve o nome impresso na lista de aprovados na segunda fase. No último domingo (1), ela iria fazer as provas do vestibular de inverno da Unifil e entre os dias 15 e 17 deste mês estará em Maringá (Noroeste), onde tentará uma vaga na UEM (Universidade Estadual de Maringá). "Eu não vou ter férias, praticamente. O máximo que eu vou fazer nessas férias é dormir meia hora a mais todos os dias", planeja a estudante que costuma levantar da cama às 6h30. "Vou estudar história com a minha tia, que é professora e vai estar livre em julho, e vou aproveitar para estudar as matérias que perdi."
A rotina de Perez é cansativa. De terça a sexta-feira pela manhã ela assiste às monitorias de dúvidas para responder as questões nas quais tem dificuldade e as tardes são dedicadas aos estudos em casa. À noite, duas vezes por semana, ela pratica muay thai e, aos sábados, se dedica ao escotismo. "No ano passado não tive muito foco no vestibular. Agora estou tentando responder o máximo de questões, resolver os simulados. Vou ficar neste ritmo até o final do ano", adianta.
Gabriel Rafael, 18, tenta conciliar os estudos com o trabalho para garantir o acesso à faculdade. Pelo segundo ano tentará uma vaga no curso de artes cênicas da UEL. "Não consigo estudar muito tempo. Venho para o cursinho de manhã, saio às 13 horas, vou para o trabalho e só saio às 22 horas. No trabalho tenho um intervalo e aproveito para estudar. Também tenho uma folga na semana, quando aproveito para aprender", relata.
Rafael não se considera um aluno exemplar, mas afirma ser esforçado. "Eu fui estudar mesmo no terceiro ano (do ensino médio) e estudei mais de última hora. Mas agora percebi que o estudo é fundamental para mim e nas férias de julho eu vou botar os estudos em ordem e revisar o conteúdo."
ABRIR MÃO
Para quem, como Raquel Perez, vai fazer vestibular em julho, as dicas das profissionais são um pouco diferentes. Estes praticamente não terão férias. Em boa parte dos colégios, as aulas vão até sábado, 8 de julho. Mas no domingo já tem vestibular na UEPG (Universidade Estadual de Ponta Grossa), na semana seguinte na UEM, e na última semana do mês, as aulas recomeçam.
"Quem está determinado a estudar sabe que vai ter que abrir mão de algumas coisas e que vale a pena o esforço durante esse período. Depois que estiver na instituição (faculdade), ele não terá mais a concorrência", lembra Carrion.


