Preocupação com dengue lota postos de saúde
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quarta-feira, 05 de março de 2003
Fábio Galão<br>Reportagem Local 
O número de atendimentos nos postos de saúde 16 e 24 horas de Londrina cresceu entre 25 a 30% nas últimas semanas. Apenas no posto José Belinati, na área central, a média de pacientes atendidos subiu de 250 para 350 por dia. No final da tarde de ontem, dezenas de pessoas se espremiam no local. Algumas aguardavam atendimento há horas. A Secretaria de Saúde confirma o fenômeno e o credita à dengue.
''As notificações têm aumentado e isso se reflete na lotação dos postos de saúde'', afirma a gerente do setor de Epidemiologia da secretaria, Sônia Fernandes. ''O que sabemos é que, de sexta-feira até hoje (ontem), havia 500 novas notificações. Isto dá uma média de 100 casos suspeitos notificados por dia'', acrescentou. Segundo ela, há quatro semanas, a média era de 50 a 60 notificações por dia.
Segundo Sônia, isto não significa que a doença esteja se alastrando. ''O melhor treinamento dos profissionais de saúde faz com que eles fiquem mais atentos para realizarem mais notificações. Além disso, as pessoas estão mais preocupadas com a doença devido a toda a mobilização'', afirma.
A administração também acredita que localidades como o Hospital Universitário (HU) e o José Belinati, por serem mais conhecidas, acabam sendo mais procuradas do que os postos locais, mas ressalta que todas as unidades de saúde possuem a mesma estrutura.
Um exemplo desta situação é o agricultor Geni Elias Ferreira, que procurou atendimento no José Belinati mesmo sendo morador do distrito da Warta, na zona norte. ''Estou com dores nos braços e nas pernas. Até fui no posto perto de casa, mas me deram um remédio que não resolveu nada. Nunca esperei tanto pra ser atendido na vida'', disse Ferreira, que aguardava há quatro horas.
Já a dona de casa Maria de Loures, moradora do conjunto Mister Thomas (zona norte), disse que nos últimos meses os postos de saúde têm lotado cada vez mais. ''Minha filha, que está com dores nos rins, esperou quatro horas para ser atendida'', reclamou.
A também dona de casa Florides Vaz de Oliveira Neves estava indignada porque ontem, às 17 horas, sua mãe, Leonina Maria Vaz de Oliveira, ainda não havia sido atendida. Elas tinham chegado ao local às 13 horas. ''Está uma porcaria esse atendimento. Minha mãe está com dores no peito e nas costas, mal consegue ficar sentada'', critica Florides. Ela também testemunha que tem reparado que o movimento nos postos de saúde tem aumentado nas últimas semanas.
A Secretaria está realizando um estudo para apontar como as notificações de suspeitas de dengue têm aumentado em cada posto de saúde, o que indicaria exatamente como a doença estaria influenciando no movimento nas unidades de todo o município.


