Rolândia- Os alunos podem não compreender exatamente o significado e a dimensão do reconhecimento dado este mês à Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais - Apae de Rolândia (25 km a oeste de Londrina).
Mas todos os 338 atendidos se beneficiam da qualidade estrutural e profissional oferecidas pela unidade, a única Apae do Paraná a figurar na lista das 50 entidades mais eficientes e transparentes do Brasil em 2004, segundo o Prêmio Bem Eficiente, organizado pela agência de marketing social Kanitz e Associados (do prestigiado palestrante Stephen Kanitz) com apoio de cinco patrocinadores de peso Accor, Banco Dibens Firmenich, Grupo Solvay e Intermédica Saúde.
O trabalho de outras seis Apaes também foi reconhecido. Cinco delas em São Paulo: Bauru, Campinas, Mogi das Cruzes, Pindamonhangaba e São Carlos. A unidade de Brusque (Santa Catarina) completa a lista das premiadas.
O Instituto de Orientação e Recreação da Criança Excepcional (Iorce), denominação oficial da unidade de Rolândia, é também a única entidade do interior paranaense a ser selecionada pelos rigorosos critérios do prêmio. As outras quatro instituições paranaenses selecionadas são de Curitiba.
Para a securitária Neiva Puzzi Moser, a comandante da Iorce (ela já está no terceiro mandato ou no sexto ano à frente da presidência da Apae) que dedica oito horas de seu dia para o trabalho voluntário, não houve nenhuma razão especial para sua escola ser reconhecida por especialistas do terceiro setor. ''Basicamente, acho que a premiação está relacionada à qualidade dos nossos professores e do nosso corpo técnico'', avalia Neiva, lembrando que entre os alunos estão moradores de Londrina, Cambé e Jaguapitã.
A Apae de Rolândia conta com 50 professores. Segundo Ivone de Paula, uma das coordenadoras escolares, a maioria tem o curso adicional de Educação Especial e boa parte tem formação superior com especialização. ''Em relação a um professor do ensino regular, nós temos muito mais experiência e qualificação'', comparou Ivone, referindo-se ao esforço do governo federal em incluir as chamadas crianças especiais na rede pública convencional de ensino.
O corpo técnico é formado por um especialista em cada área: fisioterapia, assistência social, odontologia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, enfermagem e medicina. ''Além da estrutura ser fisicamente adaptada, as crianças têm tudo aqui. Elas não precisam sair da escola para nada'', observa Neiva.
Ivone explica que a missão dos educadores é preparar os alunos para o mercado de trabalho. Para isso, a Apae dividiu o ensino da unidade em três graus (em período integral nos casos necessários), seguindo a linha pedagógica do sócio-construtivismo.
O primeiro é a Educação Infantil, destinado aos atendidos com até 7 anos, o segundo é o Ensino Fundamental, dos 8 aos 15, e o terceiro o Ensino Profissionalizante, para os atendidos com 16 anos ou mais. ''Anualmente é feita uma avaliação. Se o atendido estiver apto a cursar o ensino regular ou ingressar no mercado de trabalho, nossa tarefa está concluída'', esclarece Ivone.
Os 5,5 mil metros quadrados de área construída, toda adaptada ao portador de deficiência, além das salas de aulas, conta com uma quadra esportiva coberta, miniacademia, laboratório de informática, sala de história (com TV, vídeo-cassete e livros), refeitório, consultórios e uma loja. Há também uma marcenaria de porte médio e oficinas de artesanato.
O complexo de ensino inclui ainda uma casa de 70 metros quadrados, onde as meninas (elas representam 40% dos atendidos) aprendem noções de etiqueta doméstica e os afazeres de uma dona de casa. O local é bem aprazível. Limpo, arejado e onde predomina um clima cordial e familiar.
Para completar a excelência no atendimento, a Apae de Rolândia mantém uma extensão rural no Centro Ocupacional Apaelândia, uma chácara de 6 mil metros quadrados na área central da cidade, onde são produzidos milho, frango, mandioca, frutas e hortaliças, alimentos consumidos pelos próprios alunos no refeitório. Lá, permanecem em regime integral 20 alunos adultos, que também acabam trabalhando em prol dos colegas mais jovens.

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