Desde sua invenção pelo norte-americano Charles Fey, no final do século 19, as máquinas caça-níqueis passaram por uma radical modernização. O tradicional alinhamento de figuras, que aponta se o apostador ganhou ou não e garante o suspense do jogo, permanece. Mas os novos equipamentos não dependem mais de moedinhas e são controlados por computador.
O sistema eletrônico acabou facilitando o que os jogadores mais temem: o controle dos fabricantes sobre a frequência e a porcentagem da premiação da máquina. Segundo o chefe do Instituto de Criminalística (IC) de Londrina, Daniel Filipetto, os caça-níqueis retornam, em média, entre 70% e 90% do que arrecadam. Entretanto, uma boa parte das máquinas que passam pelas mãos dos peritos possui uma placa-chave que permite abaixar ou aumentar esse valor.
''Fazemos testes práticos para detectar a porcentagem de retorno de cada máquina. Há modelos que permitem ajustes, outros não. De qualquer forma é um jogo de azar, o construtor não faz a máquina para perder. Há uma possibilidade muito implícita de que ela vai devolver muito menos do que ganhar'', afirma o perito.
De acordo com Filipetto, o IC faz cerca de 100 exames por mês em máquinas caça-níqueis, apreendidas nos 92 municípios circunscritos pelo órgão. Os pedidos feitos pela polícia ou Justiça acabam se acumulando, já que as perícias podem ser demoradas - quando uma máquina foge do padrão conhecido pelos especialistas, o trabalho chega a levar três dias.(V.N.)

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