Trabalho no HU acompanha o desenvolvimento dos bebês prematuros e dos pais desde o nascimento até a superação e alta
Trabalho no HU acompanha o desenvolvimento dos bebês prematuros e dos pais desde o nascimento até a superação e alta | Foto: Roberto Custódio - 10-03-2020

Com a evolução dos tratamentos, os índices de mortalidade em prematuros foram reduzidos ao longo dos anos no Brasil, mas fica o desafio de garantir qualidade de vida durante o desenvolvimento desses bebês. Esse assunto será discutido na Semana da Prematuridade do HU (Hospital Universitário) de Londrina em celebração ao Dia da Prematuridade, comemorado em 17 de novembro. Tratamentos específicos e vínculos com os pais são apontados como estratégias de cuidados aos prematuros hospitalizados e família.

A incidência da prematuridade no HU é alta. De acordo com o DataSus, a 17ª Regional de Saúde teve 183 casos de bebês prematuros menores que 32 semanas em 2019. Desse quadro, 121 eram de Londrina e 85 nasceram no Hospital Universitário. Jackeline Martins Leôncio, enfermeira chefe da Unidade Neonatal, explica que o hospital é referência em gestação de alta complexidade e risco e que possui trabalho que acompanha o desenvolvimento dos bebês prematuros e dos pais desde o nascimento até a superação e alta das famílias.

“De forma geral, melhorou muito a questão do equipamento, tratamento e tecnologia envolvidos aos tratamentos de bebês prematuros e hoje os pais têm mais esperança de sobrevivência do bebê do que antigamente, porém, hoje nós questionamos a qualidade de vida, porque precisamos acolher esses prematuros”, relata a enfermeira.

Imagem ilustrativa da imagem Prematuridade: HU de Londrina apresenta estratégias de cuidado
| Foto: Divulgação/HU

A profissional inclui nesse acolhimento o suporte da equipe multiprofissional, como fisioterapeuta, fonoaudiólogo, pediatra, enfermeiro capacitados para dar a continuidade à vida. “Esse bebê precisa de acompanhamento por um longo tempo, vai depender de cada caso, idade gestacional, patologia, porque pode ficar com sequelas neurológicas ou pulmonares”, menciona.

VÍNCULO ENTRE PAIS E FILHOS

Durante o período de internação, além dos tratamentos que exigem profissionais capacitados, a enfermeira também menciona a importância do estabelecimento de vínculo entre pais e filhos. “Existem pesquisas que comprovam que quanto mais os pais forem participativos, menor é a internação dos bebês no hospital, diminui o tempo de permanência no hospital”, menciona.

Adriana Valongo Zani, docente do departamento de enfermagem em neonatologia, conta que a taxa de sobrevivência de bebês hoje é de 85%. “Há 10, 15 anos, nós tínhamos uma taxa de óbito que girava em torno de 85%. Então, foi um giro de 360º, hoje, o que a gente batalha é para melhorar a qualidade de vida desses bebês."

Para isso, o hospital tem buscado a capacitação dos profissionais e tratamentos que colaborem para o bom desenvolvimento dos bebês. Durante a Semana da Prematuridade, a Residência em Neonatologia do Departamento de Enfermagem da UEL (Universidade Estadual de Londrina) em parceria com a Divisão Materno Infantil do HU, vai promover o curso “Estratégias de cuidado para o prematuro hospitalizado e sua família”, voltado para profissionais que atuam naquele setor do hospital.

PANDEMIA
Além de diversas terapias exclusivas para bebês nessa situação, o hospital garante a permanência dos pais no hospital, mesmo diante da pandemia da Covid-19. Como medida de segurança, foram suspendidos os acessos de familiares, como irmãos, tios e avós, mas pai e mãe continuam com o direito de permanecer 24 horas com o filho no hospital, seja na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) ou UCI (Unidade de Cuidados Intermediários). “Nós fazemos a triagem desses pais se orientações para assegurar que não tiveram contato com alguém em estado gripais”, explica a professora.

Imagem ilustrativa da imagem Prematuridade: HU de Londrina apresenta estratégias de cuidado
| Foto: Divulgação/HU

ROTINA CANSATIVA

Acompanhar o filho na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) não é desejo de nenhum pai ou mãe que aguardava ansiosamente pelo nascimento do filho, mas essa é a realidade de boa parte das famílias de bebês prematuros. A rotina é cansativa, mas necessária para o bom desenvolvimento do bebê.

A professora do departamento de enfermagem em neonatologia do HU (Hospital Universitário) de Londrina, Adriana Valongo Zani, explica é considerado prematuro todo bebê recém-nascido que nasce com idade gestacional menor que 37 semanas, no entanto, são classificados com maior registo os prematuros graves (nascidos com menos de 34 semanas de gestação), prematuros extremos (abaixo de 29 semanas de gestação).

Ravi nasceu no dia 6 de outubro, com 34 semanas. A mãe, Maria Rita Lima da Silva, 19, conta que teve contrações, chegou a ir para a maternidade, mas foi transferida para o HU. “Minha placenta estava baixa, ele estava pesando três quilos, ele tinha muito líquido e estava inchado dentro da barriga. O médico fez a ultrassom e falou que eu teria que fazer cesárea”, recorda.

Desde que nasceu, Ravi está internado no hospital. A mãe vai todos os dias pela manhã acompanhar o bebê no tratamento. “Eu acompanho tudo, vejo o que as enfermeiras estão fazendo, a medicação e volto para a casa à noite. Meu marido vem depois do trabalho”, conta. Ainda não há previsão de alta para a família, mas Silva comenta estar ciente de que ainda vai algum tempo para o filho ficar forte, mas que nota melhora nas últimas semanas.

Apesar dos tratamentos após o nascimento, a professora conta que a rotina de cuidados começa no pré-natal, buscando evitar doenças e fazer controle de comorbidades com intuito de reduzir o número de partos prematuros. Algumas medidas terapêuticas são realizadas durante a gestação para a melhora da maturação neurológica e pulmonar do bebê.

“Mesmo com tudo isso feito e ainda assim nascendo um bebê muito prematuro, começa a atuação desde a sala de parto, com preocupação de manter o aquecimento adequado e profissionais qualificados para o atendimento”, relata Zani. Há protocolo de atendimento específico para esses bebês nas primeiras 72 horas e depois o processo de internação.

Durante o processo de desenvolvimento, diversos tratamentos são disponibilizados pelo HU, como musicoterapia, hidroterapia, Cuidado Canguru, que promove contato pele a pele com mãe ou o pai, Redinha, para o conforto e estimulação do desenvolvimento, aleitamento materno e participação familiar, cujos pais são inseridos ainda no ambiente da terapia intensiva.