Prejuízos chegam a R$ 1,34 mi por ano
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quarta-feira, 29 de outubro de 1997
Curitiba 
Orlando Kissner/SMCSEstragoEmiliano Seleme, diretor da SMOP, com luminária inutilizada por tiros: Na maioria dos casos a perda é totalA Prefeitura de Curitiba tem um prejuízo anual de R$ 1,34 milhão com a depredação de placas de sinalização, iluminação pública e abrigos de ônibus, o que representa 32,5% da verba gasta pela Secretaria Municipal de Obras Públicas (SMOP) com a manutenção desses equipamentos. Com esse dinheiro seria possível construir, por exemplo, os prédios de cinco unidades comunitárias de saúde por ano.
Os meios empregados pelos vândalos variam entre fogo, tiros, pauladas, pedradas e até socos e pontapés. Para se ter uma idéia do estrago, a secretaria troca mensalmente cerca de 3,5 mil lâmpadas somente nas vias públicas. Desse total, 1,5 mil - cerca de 40% - são quebradas propositalmente. Em condições normais de uso, cada lâmpada tem vida útil de duas mil horas (cerca de dois anos, numa média diária de oito horas de iluminação).
Dos 40 abrigos de ônibus substituídos pela prefeitura a cada mês, metade foi depredada por vândalos. A maioria dos estragos não tem recuperação: o equipamento vira sucata. Ao ser queimado, um abrigo de ônibus desaparece completamente, diz o diretor do Departamento de Infra-estrutura de Tráfego da SMOP, Emiliano Seleme. Placas de sinalização furadas por tiros também ficam definitivamente inutilizadas, bem como luminárias e lâmpadas. A recuperação pode ser feita quando o estrago é pequeno, como quando uma luminária é apenas amassada, mas na maioria dos casos a perda é total.
A falta de consciência por parte de quem comete estes atos causa prejuízos sérios para a comunidade., observa o secretário municipal de Obras Públicas, Hitoshi Taminato. Segundo o secretário, os pontos mais críticos ficam perto de bailões, casas noturnas e estádios de futebol.
Como as soluções educativas surtem efeito a médio e longo prazo, a secretaria tem experimentado medidas técnicas para tentar reduzir os prejuízos com vandalismo. Estão em testes, por exemplo, luminárias com vidros especiais, que resistem a tiros. O único problema para a implantação do equipamento é seu preço: enquanto uma luminária normal custa, em média, R$ 120,00, a especial não sai por menos de R$ 180,00. Pretendemos trocá-las, mas ainda dependemos dos testes. Se fizermos uma troca em grande escala, o preço pode cair, trazendo economia efetiva na manutenção, avalia Seleme.
Destruir o patrimônio público é crime, segundo o procurador da consultoria jurídica da Prefeitura, Luiz Guilherme Muller Prado. Ele explica que o artigo 163 do Código Penal prevê pena de seis meses a três anos de prisão ou multa para destruição de propriedades públicas. O problema, no entanto, é apanhar os vândalos, que geralmente destroem os equipamentos durante a madrugada.


