Prejuízo na Comurb e AMA pode chegar a R$ 30 milhões
Lúcio Horta
De Londrina
O prejuízo causado por supostas irregularidades em contratos firmados pela Companhia Municipal de Urbanização (Comurb) de Londrina e pela Autarquia Municipal do Ambiente (AMA), nos últimos dois anos, pode chegar a R$ 30 milhões. O valor foi citado no depoimento que o diretor-administrativo-financeiro da Comurb, Eduardo Alonso de Oliveira, prestou ontem de manhã. Ele foi ouvido pelos promotores Bruno Galatti, da Procuradoria de Defesa do Patrimônio Público, e Cláudio Esteves, da Promotoria de Investigações Criminais (PIC).
Alonso esteve no Fórum acompanhado do advogado Antonio Carlos Vianna. Durante o depoimento, que durou três horas e meia, ele afirmou que a responsabilidade pelos contratos supostamente irregulares realizados pela Comurb é do diretor-presidente da companhia, Kakunen Kyosen, e dos dois ex-secretários de Governo da Prefeitura, Gino Azzolini e Wilson Mandelli. Segundo Alonso, eles teriam as prerrogativas de autorizar a realização e o pagamento dos contratos. E a Comurb era, e é uma empresa carimbada pelo Mandelli, atacou Alonso.
O diretor-financeiro da Comurb afirmou ainda que as investigações promovidas pelo Ministério Público estariam tendo condução política, de forma a responsabilizar os membros de seu partido pelos problemas encontrados na AMA e na Comurb. Os ex-diretores Mauro Maggi e Júlio Bittencourt, que foram exonerados, são filiados ao PPB.
Num documento entregue aos promotores e distribuído à imprensa, Alonso fala em uma desabrida (grosseira) perseguição política (contra o PPB) patrocinada pelos membros da administração municipal pertencentes aos quadros do PFL. Eu não teria competência para liberar R$ 30 milhões, destacou.
Como exemplo da condução política nas investigações, Eduardo Alonso citou um contrato firmado pela própria AMA com a empresa Vega-Sopave, no valor de R$ 10 milhões, e que teria sido realizado este ano por meio da Secretaria de Governo. Enquanto se investigava a roçagem (superfaturamento nos serviços prestados à AMA), a Vega-Sopave recebia pagamento milionário, afirmou.
Bruno Gallati contestou, dizendo que tudo o que foi e o que for descoberto será investigado; e que tanto Júlio Bittencourt quanto Mauro Maggi prestaram depoimento na promotoria e não citaram esse contrato de R$ 10 milhões.
Para se defender das acusações de que teria participação nas irregularidades nos contratos da Comurb, o diretor-financeiro da companhia lembrou que, tanto a lei municipal (5.496/93) quanto o estatuto da empresa, pregam que cabe somente ao presidente a competência para abrir processos de licitação ou autorizar pagamentos; e que não cabia às outras diretorias questionar os serviços solicitados.
Eduardo Alonso lembrou que o presidente da Comurb, Kakunen Kyosen, é auditor da prefeitura há 30 anos e teoricamente estaria preparado para identificar irregularidades (ver matéria nesta página). Não é possível que um auditor deixe passar isso. Ou ele é conivente ou é omisso, acrescentou o advogado de Alonso, Antonio Vianna. Sobre o fato de continuar no cargo, apesar das divergências com outros diretores, Alonso respondeu: Eu queria sair em maio. Mas pedir demissão seria assinar um atestado de culpa. Alonso informou que sua conta bancária e a de sua mulher estão à disposição do Ministério Público, para qualquer investigação.
Na noite de ontem, Vianna divulgou nota à imprensa afirmando que no depoimento de Eduardo Alonso em nenhum momento foi dito ou consignado no termo que houve rombo pela administração pública. Ele frisou que a cifra de R$ 30 milhões, citada pelo diretor, refere-se à soma dos contratos investigados pelo Ministério Público, apreendidos junto à Comurb e AMA.





