Marta Medeiros
De Maringá
Especial para a Folha
Grande parte das 1,2 mil pessoas de Astorga (40 quilômetros a sudeste de Maringá) que tiveram as casas destruídas pela violenta tromba d’água da última terça-feira, não puderam iniciar ontem o trabalho de reconstrução dos imóveis. Elas temem a volta das chuvas e esperam para hoje as telhas de fibrocimento que o governo do Estado está encaminhando para o município. Empresários também começaram ontem a fazer orçamentos para reerguer o parque industrial de Astorga que ficou praticamente destruído. Segundo o prefeito João Zampieri (PFL), o prejuízo na área industrial ultrapassa R$ 1,6 milhão.
Com a casa destelhada e todos os móveis encharcados, a dona de casa Vânia dos Santos, 25 anos, não conseguiu esperar pelas telhas prometidas pelo governo. ‘‘É difícil ficar com a casa descoberta e com a ameaça de chuva’’, disse Vânia. Ela gastou R$ 380,00 para repor as telhas de fibrocimento de sua casa localizada na Vila Olímpia. O marido ganha R$ 300,00 por mês e Vânia disse que não tem idéia de como irá pagar as prestações. ‘‘Só Deus para ter misericórdia. Vou na prefeitura para ver se eles me ajudam a pagar’’, afirmou.
A Vila Olímpia é um dos seis conjuntos habitacionais mais atingidos pela forte chuva de terça-feira. O bairro fica ao lado do Conjunto Gralha Azul, que além de ter boa parte das casas destelhadas, estava com as ruas cobertas por galhos de árvores e muita lama. Funcionários da prefeitura de Astorga passaram o dia de ontem ajudando os moradores na limpeza do bairro. Maioria da população destes conjuntos é formada por famílias carentes.
A maior preocupação do jardineiro Jair Pereira dos Santos, 48, era com a possibilidade de haver chuva de novo. A casa dele no Conjunto Gralha Azul também estava coberta com lona fornecida pela prefeitura. ‘‘Estou esperando as telhas porque este plástico não aguenta nenhum vento forte’’, disse. Santos passou a noite com a família abrigado em uma associação da cidade. ‘‘Hoje (ontem) vou dormir em casa e torcer para não chover’’, disse o jardineiro.
O empresário Maurício Matara, 51, enfrentava ontem o processo de reconstrução de sua fábrica de carrocerias de caminhão. O orçamento da cobertura de aço galvanizado ficou em R$ 12,9 mil. Matara tem seguro contra vendaval mas o valor de resgate será de R$ 10 mil. O empresário deveria ainda somar os gastos com a reconstrução de paredes. A violência do vento e da chuva foi tanta que a cobertura do escritório de Matara voou por mais de 30 metros. ‘‘Estou triste, mas nesta situação não se pode baixar a cabeça’’, ressaltou.
O cenário do parque industrial de Astorga ontem era de destruição. Postes de energia elétrica tombados, indústrias inteiras no chão e muitas coberturas de aço espalhadas pelo local. O funcionário de uma serralheria contou que a produção continuava ontem para vencer as encomendas de final de ano, apesar da falta de telhado na empresa.
Por causa dos prejuízos e transtornos da chuva, a Prefeitura de Astorga cancelou a festa de aniversário de 47 anos do município que seria realizada de amanhã até o dia 14. A estrutura da festa que estava sendo montada ficou destruída. ‘‘Não temos como pensar em refazer a organização do evento, apesar de tradicional, porque o trabalho agora está sendo direcionado às famílias e empresas prejudicadas pelo temporal’’, disse o secretário municipal da Defesa Civil, Marcos Paulo Clemente.O total se refere apenas ao parque industrial do município; famílias desabrigadas esperavam ontem a chegada de telhas
Fotos Marcos NegriniSEM TETOEmpregados garantiam ontem o início da reconstrução das coberturas das empresas do parque industrialA dona de casa Vânia dos Santos ficou com medo de a chuva voltar e comprou telhas a prazo para cobrir a casa e agora quer ajuda para pagar as prestaçõesO empresário Maurício Matara fazia as contas dos prejuízos e calculava orçamentos: só para cobrir sua empresa ele vai gastar R$ 12 mil

mockup