Mais duas vítimas do assalto aos 23 cofres particulares alugados pelo Banespa, ocorrido no dia 10, registraram queixa ontem na 10ª Subdivisão Policial (SDP) em Londrina. A Polícia Civil já ouviu oito pessoas e o valor do roubo levantado até ontem era de aproximadamente R$ 600 mil em dólares e jóias. As investigações, de acordo com o delegado Márcio Vinícius Ferreira Amaro, que preside o inquérito, estão adiantadas, mas com as diligências mantidas em sigilo para não atrapalhar o trabalho.
A Folha teve acesso a quatro boletins de ocorrência. Só uma ds vítimas perdeu mais de R$ 300 mil. Havia ainda no cofre barras de ouro e prata. Os conteúdo dos demais, segundo o delegado, estão sendo mantidos em sigilo a pedido das vítimas.
A quadrilha que assaltou o banco, que segundo as investigações preliminares, possui entre 10 e 15 integrantes, iniciou o roubo no dia anterior, quando invadiu a casa do gerente do banco e o sequestrou. Durante toda a noite, dois homens permaneceram na casa com o casal. Uma terceira pessoa, apontada pelo gerente como o provável líder do grupo, esteve na casa rapidamente e foi embora, retornando no dia seguinte, quando forçou o gerente a levá-lo até o banco.
A mulher do gerente foi encapuzada e levada para um outro local enquanto o marido se dirigia ao banco. No banco os ladrões forçaram o gerente a apresentar a relação dos cofres que possuíam valores. Eles mexeram em apenas 23 dos mais de 200 que a instituição possui.
A Polícia Civil apreendeu dois veículos que teriam sido utilizados no assalto, uma perua Renault Trafic branca, roubada em Santo André (SP), que foi usada para transportar a mulher do gerente, e um Fiat Uno preto, roubado em São Caetano (SP), que depois foi abandonado em Cambé (13 Km a oeste de Londrina).
Todas as pistas indicam que a quadrilha seja da região do ABC paulista. Na perua e nos cofres do banco foram colhidos apenas fragmentos de impressões digitais que estão sendo analisados pelo Instituto de Criminalística em Londrina. Até sexta-feira o delegado Amaro deve receber os laudos.
Na casa do gerente, segundo o delegado, não foi encontrada nenhuma pista. A polícia de Londrina está sendo auxiliada nas invetigações pela Polícia Civil de São Paulo e por um sistema particular do Banespa. Estão sendo rastreadas informações e telefonemas que, segundo Amaro, são importantes na identificação da quadrilha. ‘‘É um caso bastante complicado, pois o roubo foi bem organizado e executado’’, resume.
Um gerente de banco, que pediu para não ser identificado, afirmou que nos casos de cofres de aluguel o contrato é feito individualmente entre a pessoa que aluga e o banco. O que é guardado no cofre é sigiloso. ‘‘Como nem mesmo o banco sabe o que a pessoa guarda dentro do cofre, os contratos não costumam trazer cláusulas de seguro’’, disse. Segundo o gerente, muitos bancos acabaram com o sistema de cofres particulares porque, na maioria das vezes, as pessoas os utilizam para guardar produtos ilícitos, não declarados em impostos.

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